Ministro revela conexão entre apostas esportivas e crime organizado
Governo aponta vínculos entre apostas esportivas e crime organizado, citando bloqueio de R$ 3,3 bilhões em transações suspeitas desde 2018

Na terça-feira, 3 de outubro, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, levantou alarmantes preocupações sobre a ligação entre o setor de apostas online e o crime organizado. Durante uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), ele destacou a “proximidade indesejável” entre as apostas e atividades ilícitas, incluindo a lavagem de dinheiro.
Lima e Silva argumentou que a recente medida provisória que proíbe a operação de empresas de apostas online é um passo importante no combate ao crime. “Desafortunadamente, constatamos uma proximidade indesejável da atividade de bets com o crime organizado, com a lavagem de dinheiro”, afirmou o ministro.
Com a implementação de operações policiais desde 2018, o Ministério da Justiça revelou que foram bloqueados R$ 3,3 bilhões em movimentações suspeitas associadas às apostas online. Essa quantia foi resultado de 21 ações conjuntas entre a polícia e o Ministério Público.
Segundo o ministro, o crime organizado se aproveita do sistema de apostas eletrônicas para dar uma fachada legal a recursos obtidos de forma ilegal por meio de atividades como o tráfico de drogas. “É relevante que a coletividade brasileira perceba exatamente do que se trata e do que estamos a decidir hoje nesta ocasião aqui”, comentou ele ao final de sua exposição.
Audiência no STF
A audiência pública foi convocada pelo ministro Luiz Fux, relator dos recursos apresentados ao STF pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). As entidades estão questionando a validada Medida Provisória nº 1.394/2026, que proíbe a exploração e a promoção de jogos online, normativa que entrou em vigor em setembro deste ano.



