
A luta de Cleocimara Reis Gomes, de 38 anos, pela conscientização sobre a violência contra mulheres indígenas no noroeste do Amazonas foi reconhecida em Brasília na última quarta-feira (4). Sob sua coordenação, o projeto Promotoras Legais Populares Indígenas do Rio Negro visa empoderar mulheres em comunidades distantes, como a de Cartucho, que abriga 40 famílias e está localizada a quatro dias de barco de São Gabriel da Cachoeira (AM).
Durante a cerimônia do Prêmio “Antes que Aconteça”, uma iniciativa recente da Lei 15.398, Cleocimara recebeu uma menção honrosa pelo trabalho voltado à prevenção da violência de gênero no país.
Financiamento e suporte
As práticas premiadas no evento, que contou com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, receberam financiamentos que variam entre R$ 50 mil e R$ 200 mil. Cleocimara se destacou por atuar em 100 comunidades indígenas nos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro, enfrentando índices alarmantes de violência que, segundo ela, são frequentemente ignorados devido à distância geográfica que separa essas comunidades dos centros urbanos.
Cleocimara destacou a importância de conscientizar as mulheres indígenas sobre seus direitos, afirmando que “não se deve viver em um cenário de violência”. A proposta do projeto é esclarecer que esse tipo de violência não faz parte da cultura indígena. “Tem violência física, sexual, psicológica e patrimonial, tanto de invasores das terras quanto de homens indígenas, e as denúncias frequentemente demoram a chegar devido à distância entre as comunidades”, explicou.
“É essencial aumentar a presença de equipamentos públicos para atuar na prevenção”, defendeu Cleocimara, ressaltando a necessidade de envolver homens aliados na causa.
Foco na vulnerabilidade feminina
O prêmio “Antes que Aconteça” também homenageou o projeto da Associação de Pescadores e Marisqueiras de São Félix (BA), na categoria “Justiça que acolhe mulheres”, liderado pela marisqueira e ativista Cátia Chagas, de 58 anos. Cátia, que possui formação em direito e psicologia, tem dedicado sua vida a apoiar mulheres vítimas de violência, oferecendo atendimentos variados, incluindo suporte psicológico e médico, e capacitações.
Desde sua fundação em 2012, o projeto já beneficiou cerca de 600 mulheres, a maioria delas mães solteiras que batalham para sustentar suas famílias.
Comunidades em movimento
Outro destaque do prêmio foi o projeto Dandara, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que apóia cerca de 500 mulheres quilombolas com cursos em seus próprios territórios. Ana Beatriz Bernardes Nunes, presidente da Associação Estadual das Quilombolas do Rio de Janeiro, enfatiza que essas mulheres enfrentam violência territorial, sendo as principais administradoras de suas áreas.
“Elas cuidam da biodiversidade e estão sob constante ameaça”, afirmou Nunes, que se beneficia de um programa de proteção do Estado.



