
Desde o início da pandemia do coronavírus, ocorrido em março no Brasil, as recomendações de seguir o isolamento social, fazer o uso da máscara quando estiver fora de casa e sempre estar higienizado devem ser seguidas. A população também está tendo de conviver com uma doença desconhecida, sem saber como ela age e de ver o noticiário de tantas pessoas infectadas e mortas.
Tudo isso tem causado uma série de sentimentos na vida dos pais, crianças e idosos, além dos profissionais da chamada linha de frente, como os médicos, enfermeiros, funcionários da saúde, caminhoneiros, jornalistas e funcionários dos comércios. O que acaba prevalecendo nelas são as sensações de medo, apreensão e muito estresse pelo fato de não ter a liberdade de ir e vir e de algum local para frequentar e assim ter momentos de alegria.
De acordo com a Dra. Inaê Almeida Moroz, médica plantonista UTI Adulta do Hospital Universitário, em Jundiaí, quando pensamos em pandemia, primeiro precisamos pensar em nosso sistema imunológico, pois ele é que serve para nos proteger de vírus, bactérias e outros organismos. Uma das coisas que diminuem a função do sistema imunológico é o estresse. E em tempos de quarentena, estamos lidando com o estresse com mais intensidade.
“O estresse é uma resposta do corpo quando estamos sobre uma ameaça. Essa ameaça pode ser física ou mental. No momento estamos vivendo uma ameaça mental, com medo de contrair o vírus. Isso faz com que tenhamos o tempo todo um estímulo emocional que faz com que o nosso cérebro interprete o risco e, assim, envia mensagem para a glândula adrenal, localizada acima do rim, e que produz o que chamamos de cortisol”, explica a médica.
Segundo ela, o cortisol é um hormônio que em pequena quantidade é fundamental para o nosso organismo, mas em grande quantidade acaba trazendo algumas complicações. “Um dos grandes problemas com a elevação crônica do cortisol é o desequilíbrio nas taxas de açúcar no sangue. Este é um dos ladrões mais insidiosos da nossa saúde. O desequilíbrio do açúcar no sangue aumenta a inflamação, o que coloca mais estresse nas suprarrenais e inicia um ciclo vicioso, à medida que continuam a piorar um ao outro, além de alterar a liberação da melatonina, que é o hormônio do sono”.
Confira algumas atitudes e mudanças de hábito que podem reduzir o estresse em tempos de COVID:
- Faça uma pausa. Não assista, leia ou ouça notícias, incluindo mídias sociais. Ouvir a pandemia repetidamente pode causar irritação desnecessária.
- Cuide do seu corpo. Respire fundo e medite. Tente se alimentar de forma saudável e equilibrada. Exercite-se regularmente, durma o suficiente e evite consumo de álcool e drogas.
- Tire um tempo para relaxar. Tente fazer outras atividades que lhe deem prazer.
- Conecte-se com outras pessoas. Converse com pessoas em quem confia sobre suas preocupações e como se sente. Consulte seu profissional de saúde se o estresse interferir em suas atividades diárias por vários dias seguidos.
- Assista filmes agradáveis.
- Procure dormir 8 horas por noite para ativar o sistema imunológico.
- Evite comidas que aumentem seu estresse (principalmente carboidratos e açúcares).
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), os percentuais médios esperados desses problemas na população são: estresse, 8,5%; ansiedade, 7,9%; depressão, 3,9%.



