Cem mil vidas que se vão pelo COVID-19
Triste marca é registrada e se torna maior tragédia do Brasil

Não são números, não é uma mera estatística e não é um acidente. A falta de uma política consciente, de investimentos constantes e da conscientização de algumas pessoas que insistem em dar festinhas e saidinhas sem necessidade fizeram com que nesse sábado, o Brasil alcançasse a triste marca de 100 mil mortes por uma única doença: o coronavírus.
As famílias que choram por estas perdas que começaram desde o dia 12 de março e que em menos de 5 meses chegou a estes números absurdos. Sem dúvida o Brasil tem a sua maior tragédia de vidas perdidas em toda sua história. Os dados são do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde.
A primeira morte foi com uma mulher de 57 anos em São Paulo, no dia 112 de março, mas que só foi confirmada 5 dias depois. Daí em diante os números foram avançando. Em junho, já eram 50 mil vítimas. E agora, menos de 2 meses depois, esse número dobrou. Outra triste realidade é que o país está perto de ter 3 milhões de pessoas que se infectaram pelo COVID-19.
Bem verdade que mais de 2 milhões já se curaram, mas a realidade é que muito deixou de ser feito pelo Governo Federal, que jogou a responsabilidade de prevenções para as prefeituras e governos estaduais, que não tem decisões unificadas para o combate e a própria população que insiste em teimar com as regras de isolamento social, do uso da máscara e de toda higienização que não é cumprida. Também pelo fato do comércio apesar de tudo estudar e fazer reaberturas graduais.
Outra realidade que acontece é o fato do país se manter no chamado platô, que é a média sempre estar mantida. Mas ela está muito alta. Há mais de 1 mês que o número segue sendo mil. Muitos especialistas dizem que esta é a chance de achatar a curva. Alguns estados vem tendo esta tendência de quedas de mortes, a maioria no Norte e Nordeste. Ainda assim, é necessário fazer muito mais para que os casos e óbitos diminuam. O rigor precisa aumentar.
O estudo de novas vacinas, como a de Oxford, do Coronavac e da Pfizer estão em andamento e podem ser promissoras, mas elas só podem estar disponíveis na melhor das hipóteses a partir de dezembro. Até lá quantas mais vidas vão se perder no Brasil? Quantas mais famílias irão chorar?
Bolsonaro e o coronavírus
Desde o início, o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido), não demonstrava total preocupação com a doença e sempre pregou que a vida e as atividades econômicas deveriam seguir. Também apareceu em aglomerações, sem usar a máscara e ainda questionava e criticava as ações e recomendações da Organização Mundial de Saúde.
Na quinta-feira, Bolsonaro falou sobre a iminência das 100 mil mortes. “A gente lamenta todas as mortes, já está chegando ao número 100 mil, talvez hoje. Vamos tocar a vida. Tocar a vida e buscar uma maneira de se safar desse problema”, declarou, ao lado do ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, em uma live.
Desde o início da pandemia, em março, Bolsonaro deu diversas declarações sobre a necessidade de “seguir em frente”, mesmo com o número de contágios e mortes crescendo a cada dia. Em 28 de abril, ele disse sobre as mortes por coronavírus: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”, fazendo referência ao próprio sobrenome. Em seguida, disse se solidarizar com as famílias das vítimas. Naquela data, o Brasil tinha 5 mil mortes por causa do coronavírus.
Um pouco antes, em 20 de abril, quando o país registrava mais de 2,5 mil mortes, Bolsonaro foi questionado a respeito e respondeu: “Ô cara, quem fala de… Eu não sou couveiro, tá certo?”
Ele também defende o uso da hidroxicloroquina no combate ao COVID-19. O remédio, no entanto, se mostrou ineficaz no tratamento da doença, segundo apontou, entre outros, um estudo brasileiro.



