JundiaíSaúde

Um exército faz o telemonitoramento de pacientes Covid-19

As relações favorecem o vínculo, o acolhimento e revelações de histórias de preocupação, medo e solidão...

São pelo menos 50 pessoas que formam um exército na luta contra o coronavírus. Os Agentes de Saúde tem como arma somente o telefone, a simpatia e o tempo para escutar histórias que nem sempre estão ligadas aos sintomas da doença. Os Agentes dividem o trabalho habitual com o monitoramento a distância de centenas de pacientes que tem sintomas ou foram diagnosticados com Covid-19. A solidão e o medo dos pacientes na quarentena, que não sabem como a doença pode evoluir e comprometer a saúde, muitas vezes tomam conta das ligações.

Márcia Regina Pereira  é Agente Comunitário na Unidade Básica de Saúde Corrupira. Está há 17 anos na Prefeitura. O contato frequente e a forma de se relacionar com os moradores da região fizeram Márcia ser indicada para o serviço. Ela diz que cada ligação é única.

As conversas variam de tempo, de acordo com cada paciente, uns sentem a necessidade de conversar mais, outros apenas ouvem as informações fornecidas. O monitoramento leva de 2 a 3 horas por dia, contando ainda com a anotação dos dados no sistema informatizado.

O ficou gravado para mim,  foi o dia que liguei para uma paciente para informar o resultado positivo e ela chorando me disse:

 

Eu tenho meus filhos,e agora? Para uma mãe com filhos e ainda pequenos é difícil se ver adiante desta situação, a incerteza do que vai acontecer, de como proceder com os filhos. Me lembro que eu pedi para se acalmar. Disse que tudo ficaria bem se ela seguisse as orientações direitinho é me coloquei a disposição caso precisasse de algo.

 

Leila Maria  Arlanch de Moraes Ribeiro é Cirurgião Dentista, Funcionária Pública Estadual municipalizada, há quase 30 anos. Antes da pandemia, trabalhava na Estratégia Saúde da Família  – no Parque Centenário.

Hoje está na Unidade Básica de Saúde fazendo o monitoramento. Um trabalho que consegue mapear a realidade local dos pacientes, o que possibilita  o planejamento de intervenção na região.

Para este monitoramento gasta, em média 10 minutos, contados desde a discagem, conversa e anotações na planilha, onde o objetivo deste procedimento é  acompanhar  e controlar a evolução clínica do paciente com síndrome gripal, bem como dos os familiares.  O trabalho inclui fornecer o resultado do teste RT-PCR, realizado nas unidades sentinelas e orientar caso o resultado  der positivo, na possibilidade de oferecer o teste rápido para todos que residam no mesmo imóvel e que estão  assintomáticos.

O trabalho é  gratificante.  estou sempre aprendendo alguma coisa com as pessoas, através  da troca de informações, como também às  vezes consigo fazer a diferença  pelo menos por alguns minutos na vida de alguém, como é  o caso do Sr. Antônio que perdeu recentemente a esposa (não para o Coronavírus) e que através da empatia e da confiabilidade que consegui  transmitir, eu passei a funcionar como um “ombro amigo”, dada a situação delicada pela qual ele está passando, o vínculo criado foi muito importante.

É  a oportunidade  de oferecer um serviço mais humanizado, na atual situação de pandemia pela qual estamos passando, onde se percebe que as pessoas estão mais preocupadas e inseguras na incerteza frente à problemática oriunda da COVID-19.

Natalia Tonon Monteiro Oliveira é enfermeira assistencial da Unidade Básica de Saúde Esplanada.  Ela diz que os pacientes com síndrome gripal procuram as Unidades Sentinelas e PAs de Jundiaí. Estes serviços informam as Unidades Básicas de Saúde de referência dos pacientes através de uma planilha compartilhada. Dessa forma temos acesso a esta informação e começamos o monitoramento telefônico para acompanhar a evolução destes casos, fornecer resultado de teste e dar seguimento na unidade após o período de transmissão, se necessário. As ligações duram de 5 até 15 minutos.

 

Natália diz que fazer o monitoramento é uma oportunidade de ofertar um cuidado não só ao paciente, mas a família também, que nestes casos de pandemia é de extrema importância para diminuir a transmissão e minimizar agravos.

Um dos casos que me marcou foi de um paciente que passou pela Unidade Sentinela, a qual entrou em contato com a UBS para explicar o caso de maneira detalhada. O paciente em questão vivia sozinho e perdeu pessoas muito próximas pelo COVID-19. O monitoramento telefônico foi importante para a oferta de acompanhamento emocional via telefone.

 

O Gestor de Saúde de Jundiaí, Tiago Texera, diz que o trabalho é fundamental para que a cadeia de transmissão da doença seja quebrada. E a transmissão seja reduzida. Aos poucos estamos vencendo a guerra.

” É preciso fazer a identificação precoce dos sintomas, a testagem das pessoas com suspeita, e controlar o isolamento domiciliar. O monitoramento serve para acompanhar a evolução clínica de cada paciente e dos familiares, numa tentativa de evitar que o coronavírus se espalhe na própria casa ou pela comunidade. Por isso todos os casos suspeitos são monitorados. Um ótimo trabalho desempenhado por toda nossa equipe.

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