Trump critica Brasil por fracasso no combate ao PCC e CV
Trump critica Brasil por falhas no combate ao PCC e CV, destacando a necessidade de ações mais agressivas contra essas facções criminosas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o governo brasileiro por considerar que ele falhou no combate às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). A declaração foi registrada em um documento anual enviado ao Congresso norte-americano, datado de 15 de outubro.
Trump afirmou que, enquanto muitos governos do Hemisfério Ocidental tomaram “medidas corajosas” para reduzir o tráfico de drogas, o Brasil não conseguiu enfrentar as organizações designadas como terroristas estrangeiras, que, segundo ele, transformaram o país em um centro para o tráfico global de cocaína.
“Essas organizações terroristas brasileiras constituem uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente adotar medidas agressivas para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam,” acrescentou o presidente.
Os EUA já designaram o PCC e o CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO), uma decisão que entrou em vigor em 5 de junho. Essa classificação, segundo o secretário de Estado americano, Marco Rubio, permite aplicar sanções e adotar medidas contra indivíduos e entidades ligadas a esses grupos.
O governo brasileiro contestou essa classificação e defendeu que o combate ao crime deve ser conduzido pelo Brasil, respeitando sua soberania, embora não conste no relatório de Trump como um país que falhou em suas obrigações internacionais no combate às drogas. Essa classificação foi reservada a Afeganistão, Bolívia, Birmânia, Colômbia e Venezuela.
Além disso, o Brasil não aparece na lista dos principais países de trânsito ou produção de drogas ilícitas, que inclui nações como Colômbia, México e Peru.
A reportagem entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil para um posicionamento sobre as declarações de Trump e aguardava retorno até o fechamento da edição.
No mesmo documento, Trump elogiou governos de países nas Américas, como Argentina, Equador e El Salvador, além de reconhecer avanços na luta contra o narcotráfico em nações como Colômbia e Bolívia, destacando mudanças recentes em seus governos.
Por outro lado, ele fez críticas a México e Canadá, pedindo que esses países intensifiquem os esforços para interromper os fluxos de drogas em direção aos EUA, mencionando especificamente o problema do fentanil proveniente do Canadá e a influência de cartéis mexicanos.
Trump também dirigiu críticas à China, apontando que o país continua a ser o maior produtor mundial de produtos químicos precursores utilizados na fabricação de drogas sintéticas. Ele solicitou medidas mais rigorosas de Pequim para reduzir o fluxo dessas substâncias.



