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China promove Fórum do Yangtzé para conectar civilizações por meio de rios

Evento em Chongqing busca promover intercâmbio cultural e econômico entre nações conectadas por rios, reforçando a Iniciativa para a Civilização Global da China

A China organizou a 4ª edição do Fórum da Civilização do Rio Yangtzé, que ocorreu em Chongqing, reunindo representantes de países que têm grandes rios, como Brasil, Egito, Sérvia, Austrália, Reino Unido, México, Turquia e Coreia do Sul. O evento, parte da Iniciativa para a Civilização Global proposta pelo presidente Xi Jinping, teve como tema “Conectando Rios e Mares, compartilhando a sabedoria das civilizações”.

O Brasil, representado por pesquisadores e jornalistas, destacou-se na conferência, que contou com a participação de quase 20 países. Durante o evento, os participantes discutiram a importância dos grandes rios na promoção de “valores comuns” entre as nações. O Yangtzé, o rio mais extenso da Ásia, é essencial para a economia chinesa e conecta o interior do país ao porto de Xangai.

Os representantes do Brasil tiveram a oportunidade de um cruzeiro de 440 quilômetros pelo Yangtzé, visitando locais históricos, como a fortaleza de Shibaozhai e o templo de Zhang Fei. Especialistas presentes ressaltaram que o desenvolvimento humano na região do Yangtzé é muitas vezes esquecido na historiografia ocidental, sendo que evidências de agricultura de arroz datam de quase 10 mil anos.

Li Guoqiang, professor do Instituto de História da Academia Chinesa de Ciências Sociais, criticou a ênfase ocidental em outras regiões, como Mesopotâmia e Nilo, na narrativa sobre civilizações fluviais. Ele também reconheceu questões ambientais enfrentadas pelo Yangtzé devido ao rápido desenvolvimento econômico da China, que resultou em problemas como a extinção do golfinho Baiji, em 2006.

Li explicou que a China está agora mais atenta à conservação ambiental, implementando a teoria das “duas montanhas”, que prioriza a sustentabilidade ecológica juntamente com o desenvolvimento econômico. Mudanças recentes incluem a proibição da pesca profissional e projetos para a recuperação do rio.

A professora brasileira Vera Maria Ferreira da Silva, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), destacou que a industrialização e a urbanização impactaram negativamente a fauna do Yangtzé. Segundo ela, o governo chinês está começando a focar na conservação do meio ambiente, reconhecendo que, caso o problema não seja abordado, o país perderá sua biodiversidade.

Além disso, foi anunciado um documentário chamado “Quando o Yangtzé encontra o Amazonas”, produzido pela mídia estatal chinesa, que busca explorar as histórias dos povos ribeirinhos amazônicos. Vivian Yan, diretora do projeto, expressou admiração pela diversidade cultural da região amazônica.

A docente Vera Maria também expressou a esperança de que o Brasil aprenda com a experiência chinesa para evitar erros na exploração econômica da Amazônia. Ela sugeriu que as comunidades locais deveriam ser valorizadas e que a economia da região poderia ser sustentada através da conservação dos recursos naturais.

O professor André Pereira Reinnert Tokarski, presente no evento, destacou a necessidade de um equilíbrio entre exploração econômica e conservação ambiental na Amazônia, reconhecendo a polarização atual entre exploração predatória e a rejeição de qualquer atividade econômica na região.

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