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IA e vídeos falsos ameaçam a democracia nas eleições, alerta guia

Vídeos gerados por IA e desinformação de baixa qualidade se tornam os principais desafios para a integridade das eleições e da democracia brasileira

Vídeos falsos gerados por inteligência artificial e informações de baixa qualidade agora representam a principal ameaça digital às eleições e à democracia, substituindo as tradicionais fake news. A afirmação foi feita pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) no novo Guia Internet, Democracia e Eleições, lançado nesta terça-feira (22).

O documento revela uma mudança significativa desde a primeira edição, em 2018, quando as redes sociais abertas, como o Facebook, predominavam na disseminação de informações. Atualmente, plataformas mais restritas como o WhatsApp tornaram-se as principais vias de difusão de conteúdo. O guia ainda aponta que a desinformação se espalha simultaneamente por diversas plataformas, com vídeos se tornando o principal formato, frequentemente acompanhados de textos curtos que legitimam narrativas falsas.

A desinformação é reconhecida como um dos maiores riscos globais, conforme instituições como o Fórum Econômico Mundial. Em um cenário eleitoral onde a internet é fundamental para a troca de informações e entretenimento, a influência de ferramentas como as inteligências artificiais generativas, que já apareceram nas eleições de 2022, deve aumentar ainda mais em 2024. Essas ferramentas permitem um direcionamento mais específico dos conteúdos, que se tornam cada vez mais elaborados em sua aparência de veracidade.

“As plataformas digitais são centrais para a forma como os brasileiros se informam sobre o que acontece no mundo, no país e nas suas cidades”, afirma Renata Mielli, coordenadora do CGI.br. Ela ressalta que essas plataformas são administradas por empresas privadas com interesses econômicos, o que enfatiza a necessidade de compreender como funcionam e quais impactos têm no debate público. O guia visa esclarecer esses mecanismos para promover a integridade da informação e fortalecer a democracia.

A publicação, disponível no site do CGI.br, aborda o funcionamento de sistemas de recomendação de conteúdo, o impacto da inteligência artificial generativa no cenário eleitoral e a operação de tecnologias como deepfakes e modelos de linguagem conversacionais. Também oferece diretrizes de combate à desinformação, além de orientações ao cidadão para evitar se tornar propagador de conteúdos falsos.

Além de analisar as plataformas de distribuição, o guia destaca o papel dos influenciadores nas redes sociais, reconhecendo sua importância, mas alertando para a falta de um código de ética que os discipline em relação à veracidade das informações que divulgam.

Os especialistas alertam para o crescente realismo das deepfakes, que pode enganar até mesmo eleitores mais experientes na avaliação de conteúdos. Isso pode fomentar uma desconfiança generalizada, não apenas em relação a informações falsas, mas também às verdadeiras.

“A perda de confiança nas instituições, como a imprensa e o Judiciário, agravada pela polarização política, contribui para que convicções pessoais prevaleçam sobre a verificação dos fatos”, diz o guia. Isso leva a um consumo cada vez maior de conteúdos que confirmem crenças já existentes, resultando no fenômeno da racionalidade motivada, que pode reforçar ideologias pessoais.

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