
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta nesta quarta-feira (23) sobre a venda irregular de tirzepatida em pó nas redes sociais. A tirzepatida é um medicamento injetável que atua no receptor de GLP-1, sendo um dos princípios ativos dos medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras.
No Brasil, a tirzepatida é regulamentada pela Anvisa e deve ser adquirida em farmácias. Ela também pode ser encontrada em farmácias de manipulação, desde que haja prescrição médica. A Anvisa enfatiza que não é seguro manipular medicamentos fora de ambientes estéreis, pois isso aumenta o risco de contaminação por microorganismos como bactérias e fungos.
Em vídeos tutorial disponíveis nas redes sociais, usuários ensinam a diluir o pó e a realizar a aplicação em casa, sem qualquer cuidado sanitário. A Anvisa já tomou conhecimento do comércio ilegal de tirzepatida e destaca que diversas ações policiais têm sido realizadas contra essa prática.
O órgão alerta que, por não terem passado por avaliação oficial, não é possível confirmar a presença do princípio ativo na substância em questão, bem como sua concentração e a existência de impurezas ou contaminantes. Quando injetados, esses produtos podem causar infecções graves.
A Anvisa enfatiza que a crença de que misturar um produto em pó com água ou outra solução para injeção torna essa mistura segura é extremamente perigosa, especialmente na ausência de garantias sobre a esterilidade do produto. Contaminantes podem ser invisíveis a olho nu, e a aparência de limpeza e o lacre do produto não garantem a segurança. O risco de contaminação durante o preparo em casa é elevado.
Apenas produtos especificamente fabricados para uso injetável e que atendam a rígidos critérios de qualidade e esterilidade devem ser administrados dessa forma, recomenda a agência.
Além da tirzepatida em pó, a Anvisa também identificou a divulgação do CBL-514, um peptídeo sintético com suposto potencial para reduzir gordura localizada. Essa substância ainda está na fase 2 de testes clínicos e não possui registro ou autorização para venda. A Anvisa ressalta que, enquanto não forem confirmadas sua segurança, eficácia e qualidade, não há garantias de que os benefícios superem os riscos à saúde.



