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Mãe de Kathlen Romeu pede apoio no julgamento de policiais envolvidos em sua morte

Família clama por justiça enquanto policiais acusados de matar Kathlen Romeu aguardam julgamento em meio à luta contra a letalidade policial no Rio

No próximo sábado (3), a comerciária Jacklline de Oliveira, de 45 anos, e o professor de educação física Luciano Gonçalves, de 49, relembrarão com tristeza o aniversário de sua filha, Kathlen Romeu, que completaria 30 anos. Seis anos após a celebração de seu último aniversário, marcada pela alegria no terraço da avó, a memória de Kathlen, que estava grávida e foi assassinada em 2021 por policiais, ainda provoca dor profunda na família.

“Kathlen era uma filha intensa e amorosa”, recordou Jacklline. Desde os 15 anos, Kathlen customizava e vendia roupas e havia conseguido financiar seu primeiro apartamento, além de esperar pelo nascimento do filho. No entanto, durante uma visita à avó, Kathlen foi baleada e não sobreviveu, assim como seu bebê.

“O Estado mata a gente diariamente há cinco anos e poucos meses. Não tem um dia que eu não sinta como se estivesse levando um tiro de fuzil”, afirmou Jacklline, desabafando sobre a perda e a luta por justiça.

O caso de Kathlen, que ocorreu na comunidade do Lins, na Zona Norte do Rio de Janeiro, está prestes a entrar em uma nova fase: os policiais envolvidos, Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano, serão julgados no próximo dia 26 de novembro, no Tribunal do Júri. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou os policiais após pressão da família e de aliados que lutam por justiça.

Embora já tenham sido absolvidos da acusação de fraude processual, os PMs respondem ao processo em liberdade, afastados de suas funções. “A nossa luta é pela memória, reparação e justiça, mas em prol de uma juventude negra, pobre, preta, periférica viva”, enfatizou Jacklline.

Ela e Luciano, enquanto aguardam o julgamento, cobram ações firmes da sociedade civil contra a letalidade policial. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Rio de Janeiro registrou 798 mortes pela polícia em 2025, refletindo a grave situação da violência no estado.

Os pais de Kathlen continuam a manter viva a memória da filha, utilizando o espaço da casa recheado de recordações e lutando ativamente para que outras famílias não enfrentem a mesma dor. “Se esses policiais não forem punidos, a sociedade civil também estará matando Kathlen Romeu e o seu bebê”, destacou Jacklline, que mantém uma foto do ensaio de grávida da filha em um local de destaque na casa.

Ambos os pais buscam apoio psicológico para lidar com a dor da perda e, em sua luta, promovem a conscientização sobre a violência policial em busca por justiça e igualdade. Com a esperança renovada a cada mobilização e manifestação, eles reafirmam a importância de não deixar que a história de Kathlen seja esquecida.

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