Espanha marca novas eleições em meio a convocação de greve geral por sindicatos
Eleições legislativas antecipadas ocorrem em meio a primeira greve geral em 14 anos, convocada por sindicatos em protesto à crise habitacional na Espanha


As duas principais centrais sindicais da Espanha, UGT e CCOO, anunciaram uma histórica greve geral para o dia 11 de novembro, em meio a uma crise habitacional que mobilizou uma onda de protestos no país.

A convocação da greve antecede a campanha para as eleições legislativas antecipadas, que foram marcadas pelo presidente do governo, Pedro Sánchez, para o dia 29 de novembro. Essa decisão veio na esteira da derrubada de decretos sobre habitação pelo Parlamento espanhol e de intensos protestos contra despejos que ocorrem diariamente desde 23 de setembro.
Com a greve marcada para ser a primeira do tipo em 14 anos, essa ação é resultado do apelo das associações ligadas à Confederação de Sindicatos de Inquilinas. O secretário-geral da UGT, Pepe Álvarez, enfatizou a importância do movimento: “Vamos nos unir no dia 11, como já definido por diversos coletivos, em meio a uma convocatória pela greve geral”, afirmou.
A paralisação, que terá duração de 24 horas, foi organizada em conjunto com a CCOO e visa a luta por “salários dignos para uma moradia digna”, segundo Álvarez.
Críticas e Oposição
O anúncio da greve gerou reações adversas entre associações empresariais, que questionam a legalidade da mobilização por considerarem que não se trata de uma questão laboral. O presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, Antonio Garamendi, criticou a greve, argumentando que o movimento possui um “claro componente político e eleitoral”, possivelmente visando mais a oposição do que o governo de Sánchez.
Líderes dos principais partidos de oposição, como o Partido Popular (PP) e o Vox, também manifestaram desaprovação em relação à greve. O porta-voz do PP, Borja Sémper, destacou que a mobilização parece ter um “caráter político” e enfatizou que, após oito anos de governo de Sánchez, não são os sindicatos que devem se mobilizar, mas sim a população afetada pelas altas nos preços dos imóveis e dos aluguéis.
Ao comentar sobre a greve, Pedro Sánchez reconheceu seu impacto sobre trabalhadores e suas famílias, afirmando que o governo não tem alternativa senão respeitar o direito constitucional à greve. Vale destacar que a última greve geral convocada por UGT e CCOO ocorreu em 2012.



