

A dívida pública dos Estados Unidos alcançou a marca histórica de mais de US$ 40 trilhões, um aumento significativo impulsionado por cortes de impostos para os mais ricos, inflação provocada pela guerra no Oriente Médio e tarifas de importação implementadas durante a administração de Donald Trump. A avaliação é de economistas consultados pela Agência Brasil, que apontam também os elevados gastos militares, próximos a US$ 1 trilhão, e o aumento dos juros da dívida, que subiram para US$ 1,1 trilhão, mais do que o dobro do valor de 2021.
Conforme especialistas, a inflação decorrente do conflito no Oriente Médio e as incertezas geradas por políticas agressivas da Casa Branca têm pressionado as taxas de juros cobradas pelos títulos do Tesouro nacional. Apesar do aumento da dívida, que dobrou desde 2017, eles não veem risco imediato de insolvência para os EUA. Contudo, alertam que a situação fiscal do país poderá influenciar as taxas de juros no Brasil.
O professor Pedro Paulo Zahluth Bastos, do Instituto de Economia da Unicamp, destacou que a elevada dívida não indica risco de calote, pois os EUA emitem sua própria moeda e o dólar é a principal reserva monetária global. O economista ressaltou que o Federal Reserve tem a capacidade de comprar títulos do Tesouro, como fez em crises anteriores.
A Secretaria do Tesouro dos EUA anunciou que, em resposta ao crescente nível da dívida, planeja aumentar as operações de compra de títulos a partir de 9 de setembro, dobrando o volume ofertado de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões.
Para Pedro Faria, economista associado ao Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG, o montante de US$ 40 trilhões não fornece uma visão completa da saúde financeira dos EUA. Ele destacou que a comparação deve ser feita em relação ao tamanho da economia e à realidade global, onde déficits têm sido comuns entre as principais economias desde 2008.
Os títulos do Tesouro dos EUA permanecem como os ativos mais seguros do mundo, com investidores ainda comprando. Segundo Bastos, o aumento das taxas de juros reflete mais uma resposta do mercado às incertezas políticas, e não uma recusa em adquirir os títulos.
Embora a dívida tenha crescido rapidamente, com um aumento de US$ 1 trilhão em apenas cinco meses, o Escritório de Orçamento do Congresso previa que essa marca seria alcançada apenas em 2027. A política de corte de impostos implementada durante os mandatos de Trump, que visava estimular a economia ao reduzir a tributação dos ricos, é vista como uma das principais razões para esse aumento no endividamento.
Adicionalmente, Bastos enfatizou que a menor arrecadação de impostos, em vez de excessivos gastos, tem contribuído para a crescente dívida. A carga tributária nos Estados Unidos é de cerca de 25% do PIB, inferior à média de 34% entre os países da OCDE.
Faria indicou que a tendência global de diversificação dos ativos e a desconfiança em relação às políticas econômicas da Casa Branca podem preocupar o Tesouro dos EUA. Muitos países, incluindo Brasil e China, têm reduzido a proporção de títulos do Tesouro em suas reservas.
Com as taxas de juros dos títulos de longo prazo subindo a 5,33%, o mais alto desde 2007, Bastos observou que a situação pode encarecer ainda mais os gastos com juros da dívida. Apesar disso, a confiança no dólar e em títulos norte-americanos ainda persiste, refletindo a resiliência dos mercados financeiros.



