

A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro solicitou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a revogação de sua prisão preventiva. Vorcaro, que foi dono do antigo banco Master, é investigado por corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias.
No pedido, os advogados de Vorcaro argumentam que as investigações relacionadas ao caso Master estão paralisadas. Essa situação ocorreu após o pedido de vista do ministro Flávio Dino na sessão plenária do dia 15 de setembro, em que os ministros deveriam deliberar sobre a possível abertura de investigação contra o próprio ministro Alexandre de Moraes.
Com o pedido de vista, os processos da Operação Compliance Zero, que investiga Vorcaro, foram enviados ao gabinete de Fachin e permanecem sem análise. A defesa ressalta que seu cliente não pode ser mantido preso de forma indefinida, enquanto o Supremo enfrenta um impasse em torno da relatoria do caso Master. Eles destacam que Vorcaro está detido há mais de 90 dias sem que seu recurso para liberdade seja avaliado.
“Na sessão plenária de 15 de setembro de 2026, a própria definição da relatoria e da competência para a condução dos procedimentos correlatos foi objeto de questão de ordem, cujo julgamento foi suspenso por pedido de vista”, afirma a petição da defesa.
Atualmente, Vorcaro encontra-se preso no 19º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal, em um espaço destinado a presos especiais, conhecido como Papudinha, devido à sua proximidade com o Complexo Penitenciário da Papuda.
O STF enfrenta uma crise institucional sem precedentes desde que o ministro André Mendonça, relator do caso Master, decidiu levantar o sigilo de um relatório da Operação Compliance Zero, que contém mensagens que, segundo os investigadores, foram enviadas por Vorcaro a Moraes.
Com base nesse documento, Mendonça pediu ao plenário que autorizasse o prosseguimento das investigações contra Moraes. Em resposta, Moraes divulgou um relatório de inteligência da Polícia Federal que sugere direcionamento das investigações por Mendonça a fim de atingir adversários políticos. Contudo, o documento não possui assinatura e não apresenta o timbre da corporação, além de conter um aviso de que suas análises têm “sem valor probatório”.
Moraes requisitou a investigação de Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O pedido estava na pauta do plenário de 23 de setembro, mas foi retirado por Fachin. Não há data prevista para o julgamento.



