Agressões a mulheres em campanha crescem 11 vezes, alerta TSE
Denúncias de violência política de gênero aumentaram 11 vezes em quatro anos, comtáticas brutais contra mulheres nas campanhas eleitorais em todo o país


O aumento das denúncias sobre violência política de gênero tem gerado preocupação, especialmente neste ano eleitoral. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que, entre 2022 e 2024, os processos relacionados a esse tipo de crime cresceram 11 vezes.
Em Pernambuco, uma deputada estadual foi hospitalizada após ser atingida por uma pedrada durante sua campanha. No Espírito Santo, um artefato explosivo foi lançado contra integrantes da campanha de uma candidata a deputada federal. Em Minas Gerais, outra candidata recebeu ameaças de estupro via internet e teve dados pessoais de seus familiares expostos. Já no Rio de Janeiro, houve uma ameaça de morte com menção ao assassinato da ex-vereadora Marielle Franco.
Essas situações alarmantes foram encaminhadas a movimentos sociais, que redigiram um documento solicitando medidas do Estado para coibir tais agressões, que foi entregue ao TSE.
A coordenadora de Incidência Política da organização Terra de Direitos, Gisele Barbiere, enfatiza que a responsabilização dos agressores é essencial no combate à violência política de gênero. “A impunidade e a falta de respostas para esses casos encorajam os agressores a intimidar e violentar as mulheres”, afirma.
Movimentos sociais também destacam a importância da cooperação com plataformas digitais e de campanhas de conscientização voltadas às vítimas sobre a definição da violência política.
A coordenadora de Programas e Estratégia do Instituto Marielle Franco, Larissa Amorim, ressalta que essa violência compromete a democracia. “Expor dados pessoais ou ameaçar a família de uma parlamentar atenta contra o exercício de seu mandato e, consequentemente, ao princípio de representação política”, alerta.
Uma pesquisa do Instituto Marielle Franco, realizada entre 2021 e 2025, mostra que a violência política afeta desigualmente as mulheres. Dos 77 casos analisados, 87% das vítimas eram mulheres negras.
Barbiere menciona que essa violência assume contornos ainda mais cruéis quando relacionada à questão racial, frequentemente envolvendo ofensas à aparência e comparações a animais. Amorim sugere a inserção de uma perspectiva racial na Lei 14.192/2021, que previne e combate a violência política contra a mulher. “Sem essa dimensão, será difícil que essa questão seja incorporada nas políticas públicas”, conclui.



