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Pacientes com alopecia areata compartilham experiências de superação e autoestima

Pacientes com alopecia areata compartilham suas histórias de superação e as estratégias para resgatar a autoestima em meio a desafios emocionais e físicos

A alopecia areata, uma doença autoimune que provoca a queda de cabelo, afeta cerca de 2% da população mundial, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). No mês dedicado à consciência sobre essa condição, a Agência Brasil compartilha relatos de pacientes que convivem com a perda capilar. A dermatologista Enilde Borges Costa, membro da SBD, descreve a doença como imprevisível e explica que, em casos de alopecia areata, o organismo ataca os folículos pilosos, levando a episódios cíclicos de queda e crescimento do cabelo.

A alopecia areata pode se manifestar de três formas: queda de cabelo em pequenas áreas do couro cabeludo, alopecia areata total, que afeta todo o couro cabeludo, e alopecia areata universal, quando ocorrem perdas em todos os pelos do corpo. O diagnóstico é feito através de exame clínico, uma vez que não há exames laboratoriais específicos para a doença.

Os pacientes frequentemente enfrentam questões emocionais associadas à condição, que também possui um componente genético. A dermatologista ressalta que, embora o estresse possa desencadear episódios, focar unicamente em fatores emocionais pode fazer com que os pacientes se sintam culpados por sua condição.

Beatriz Santos, revisora de livros que convive com a doença desde 2008, conta que os médicos inicialmente atribuíram sua alopecia a questões emocionais, como a pressão do vestibular. Após várias tentativas de tratamento, incluindo o uso de corticoides que resultaram em efeitos colaterais adversos, ela encontrou um tratamento mais adequado que auxiliou no crescimento capilar. Contudo, Beatriz também enfrentou problemas de saúde associados ao uso prolongado desses medicamentos.

Juliana Fernandes, que lida com a alopecia areata universal há 23 anos, confirmou que o entendimento da doença evoluiu ao longo do tempo. Ela destacou a importância de grupos de apoio, como o Alopecia Areata Grupo de Apoio (AAGAP), criado por Enilde, que promove troca de experiências e acolhimento para os pacientes.

Famílias afetadas pela doença estão ativamente trabalhando na conscientização e no apoio emocional. Mães como Regina Ramos e Paloma Monteiro da Lava buscam garantir que seus filhos superem os desafios emocionais. Regina, que tem um filho com alopecia universal, defende que o foco deve ser na autoestima e aceitação, enquanto Paloma empreende esforços para conscientizar a sociedade sobre a alopecia, evitando o silêncio que muitas vezes rodeia a condição.

Na Câmara dos Deputados, tramita o Projeto de Lei 801/2022, que busca incluir a alopecia areata no rol de deficiências físicas, oferecendo direitos e benefícios para os afetados. Entretanto, pacientes como Beatriz e Juliana são contrárias à proposta, argumentando que a condição, embora impactante na aparência, não limita suas capacidades funcionais. Por outro lado, profissionais da saúde e familiares defendem a importância de políticas públicas que promovam um melhor acesso ao tratamento e à informação.

Enquanto as discussões legais continuam, os relatos de pacientes e suas famílias destacam a luta diária e a necessidade de um espaço de acolhimento e informação para aquelas pessoas que enfrentam as incertezas e os desafios da alopecia areata.

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