Saúde

Rio elege Cosme e Damião como símbolo de fé e tradição em celebrações

Cosme e Damião são celebrados no Rio como ícones de fé e sincretismo religioso, unindo católicos e adeptos da umbanda em festividades tradicionais

Em celebração ao Dia de Cosme e Damião, a professora Caroline Pinho de Araújo, de 40 anos, participou de uma missa na Paróquia de São Cosme e São Damião, localizada no Andaraí, Zona Norte do Rio de Janeiro. Desde a infância, Caroline considera os santos irmãos suas referências espirituais e expressa gratidão por meio de doações de doces e orações. “É importante manter essa tradição. Crianças e adultos ficam felizes e é uma forma de combater discursos de ódio”, afirmou.

A data, comemorada anualmente, atrai peregrinos de diversas partes e para o padre Luiz Gustavo Menezes do Nascimento, vigário da paróquia, a celebração representa uma conexão com a história. “São Cosme e São Damião foram martirizados durante a perseguição do imperador romano Diocleciano e sua memória é motivo de alegria”, destacou o padre.

Além da Igreja Católica, a celebração é significativa também para as religiões de matriz africana. No Terreiro de Umbanda Cosme e Damião, em Vila Isabel, a comunidade distribuiu doces, brinquedos e kits de higiene no último domingo. A mãe de santo Ana Carolina Oliveira comentou que sua família honra a tradição há mais de 60 anos: “Cosme e Damião são vistos como erês, entidades espirituais infantis”.

Vania Victorio Gonçalves da Silva, massoterapeuta que foi ao terreiro com a filha e uma amiga, compartilhou que a tradição é um resgate histórico de seus ancestrais. A estudante Mirele Marinho da Silva, por sua vez, ressaltou a importância da celebração em meio à intolerância religiosa: “É uma forma de mostrar que não nos importamos com isso”.

De acordo com o historiador Luiz Antonio Simas, Cosme e Damião foram médicos que viveram no Século III na região que hoje equivale à Síria. Eles cuidavam de crianças sem cobrar pelos serviços e foram martirizados por sua fé. A tradição inclui a oferta de doces às crianças doentes, promovendo alegria e contribuindo para o processo de cura, conforme a história popular.

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