Fiocruz investiga efeitos das queimadas na saúde de comunidades indígenas no Amazonas
Fiocruz alerta sobre riscos à saúde de comunidades indígenas no Amazonas devido à poluição do ar provocada por queimadas e incêndios florestais


A poluição do ar resultante de queimadas e incêndios florestais no Amazonas tem gerado sérios riscos à saúde da população, com um impacto mais acentuado nas comunidades indígenas, que já enfrentam barreiras ao acesso a serviços de saúde.

Este alerta foi emitido por pesquisadores do Observatório de Clima e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que realizaram um levantamento sobre a concentração de poluentes e a distribuição dos focos de incêndio no estado.
O relatório apresenta dados sobre a presença de material particulado fino (PM2.5), os locais afetados pelos incêndios e as previsões de qualidade do ar em diversas áreas do Amazonas. Além disso, analisa os potenciais impactos do fenômeno El Niño em 2026 e 2027 sobre as condições climáticas na região amazônica.
Recentemente, Manaus enfrentou episódios de poluição atmosférica severa, com níveis de PM2.5 muito acima dos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
As partículas de PM2.5, que podem penetrar profundamente nos pulmões e entrar na corrente sanguínea, estão relacionadas a um aumento no risco de doenças respiratórias e cardiovasculares, como agravamento da asma, infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs).
A exposição a esses poluentes é uma preocupação que abrange toda a população, especialmente crianças, idosos, gestantes e aqueles com condições de saúde pré-existentes.
Impactos nas comunidades indígenas
Nas áreas indígenas, os perigos da inalação de fumaça se agravam devido a desigualdades socioambientais, dificuldades de deslocamento e limitações no acesso a serviços de saúde, particularmente os que oferecem cuidados especiais.
O levantamento fornece informações sobre a distribuição das concentrações de PM2.5 em relação aos focos de incêndio e às aldeias indígenas. O estudo enfatiza a importância de monitorar as condições ambientais, especialmente diante da possível intensificação do El Niño, que pode propiciar períodos de seca e aumentar o risco de incêndios florestais.
Ações para melhorar a qualidade do ar
Entre os tópicos do relatório, destaca-se o desenvolvimento do Sistema AlertAr Saúde, uma ferramenta do Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz em parceria com a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), vinculada ao Ministério da Saúde. Este sistema visa monitorar e prever a qualidade do ar, focando na saúde indígena.
A iniciativa pretende integrar as previsões de concentração de PM2.5 a informações sobre focos de calor e incêndios, permitindo a identificação antecipada de situações de risco nos territórios indígenas. Com isso, haverá suporte para o planejamento de ações de vigilância, prevenção e resposta pelos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) e suas equipes de saúde.



