Lula enfatiza união do Sul Global enquanto Flávio Bolsonaro busca alianças com EUA e Israel
Lula propõe fortalecer laços com o Sul Global enquanto Flávio Bolsonaro busca parcerias com EUA e Israel e critica a política externa do PT


O debate sobre a política externa do Brasil ganha destaque nas campanhas eleitorais, com propostas contrastantes dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Lula defende o fortalecimento das relações com países do Sul Global, enquanto Bolsonaro prioriza uma aproximação mais estreita com os Estados Unidos, Israel e Argentina.
Os planos de governo apresentaram seções específicas sobre política externa, com Lula dedicando quase seis páginas ao tema e Bolsonaro cerca de três. Lula enfatiza a grave crise internacional, dizendo que o mundo vive “conflitos sem precedentes” desde a Segunda Guerra Mundial. O candidato do PT promete resistência a qualquer esforço que submeta o Brasil a interesses estrangeiros, ressaltando: “Rejeitamos a visão daqueles que aceitam, com servilismo, a renúncia à soberania nacional”.
“Faremos firme oposição a qualquer tentativa de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros ou de reduzir nosso país a uma posição de dependência geopolítica”, afirma Lula em seu documento.
Por outro lado, Bolsonaro critica a política externa anterior por, segundo ele, priorizar ideologias em vez dos interesses nacionais. Em suas propostas, ele demonstra apoio a ações bélicas do governo de Donald Trump e ataca a abordagem do PT em relação a países como Irã e Venezuela.
“Nos últimos anos, a política externa brasileira trocou o interesse nacional pela ideologia”, escreve o candidato do PL, que busca promover um reequilíbrio nas relações diplomáticas de seu país.
Defesa Nacional
No aspecto da defesa, Lula se compromete a fortalecer a indústria nacional, considerando que a política externa e a defesa são interdependentes. Desde 2023, o governo do PT já investiu R$ 20,4 bilhões em projetos estratégicos, incluindo a entrega de caças Gripen e a construção de fragatas. Ele enfatiza que “não há projeção internacional soberana sem capacidade de defesa”.
Bolsonaro também toca nesse ponto, propondo inovação em tecnologias militares, como drones e inteligência artificial, e ressaltando que “os investimentos nas Forças Armadas devem ser condizentes com a inserção de um país que é membro de diferentes grupos internacionais”.
Relações Comerciais e Sul Global
A política externa de Lula se baseia em um modelo “universalista”, buscando diversificação nas parcerias comerciais. Ele afirma que “investiremos em novos acordos comerciais e na abertura de novos mercados para nossos bens e serviços” e que buscará aprofundar relacionamentos com blocos como o Brics e o G20.
“Aprofundaremos a aproximação geopolítica com o Brics e com o Sul Global, bem como com o G20”, promete o candidato do PT.
Bolsonaro, por sua vez, defende acordos com uma ampla gama de nações e propõe atrair investimentos estrangeiros, mantendo uma postura pragmática em relação às relações diplomáticas. “Negociaremos com todos os que interessam ao Brasil”, afirma.
Terras Raras e Minerais Críticos
Em relação aos minerais críticos, especialmente terras raras, o plano de Lula visa desenvolver uma política que organize cadeias produtivas e diferencie seus usos tecnológicos. Ele acentua a necessidade de inserção soberana do Brasil nas cadeias globais relacionadas a esses recursos estratégicos.
Bolsonaro, por seu turno, planeja estabelecer parcerias internacionais com países que desejam cooperar com o Brasil, prometendo inovação através da atração de capital e tecnologias estrangeiras. Ele já destacou, em eventos no exterior, que o Brasil pode contribuir para romper a dependência dos EUA em relação à China nesse setor.
Integração Sul-Americana e Isolamento Geopolítico
Lula defende que a integração regional deve ser uma prioridade, reforçando a importância do Mercosul. No entanto, critica o governo Bolsonaro por ter isolado o Brasil em termos diplomáticos, destacando a sua própria visão de um Brasil que se afirme como uma “zona de paz” na América do Sul e no Caribe.
O candidato Flávio Bolsonaro, para cada objeção do governo Lula, promete uma diplomacia “guiada pelo profissionalismo e pragmatismo”. Ele busca reverter a imagem de um Brasil isolate de seu prestígio diplomático e de acordos regionais.
As propostas de política externa de ambos os candidatos refletem visões profundas e contrastantes para o futuro do Brasil no cenário internacional. À medida que a campanha avança, o eleitorado acompanhará de perto essas diretrizes que podem moldar o país nas próximas décadas.



