Juíza propõe ações enérgicas para combater torcidas organizadas no futebol
Juíza solicita revisão de medidas para enfrentar a violência das torcidas organizadas após confrontos que deixaram feridos e um torcedor baleado


A juíza Renata Guarino Martins, que atualmente exerce suas funções no Juizado Especial do Torcedor do Tribunal de Justiça do Rio, propõe a adoção de medidas mais rigorosas para coibir a violência entre torcidas organizadas. Sua sugestão surge após os confrontos ocorridos entre torcedores do Flamengo e do Vasco no dia 29 de outubro, que resultaram em feridos e um torcedor baleado, em locais distintos da cidade durante um jogo do Campeonato Brasileiro.
Segundo Renata, a persistência da violência entre essas torcidas, mesmo após a assinatura de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs), indica que as ações até agora implementadas falharam. A juíza acredita que chegou o momento de rever os protocolos e considerar punições mais severas para inibir comportamentos que colocam a vida dos torcedores em risco, além da possibilidade de mortes.
O clima de tensão é tal que os confrontos foram previamente agendados e divulgados nas redes sociais, uma prática alarmante que contribui para a escalada da violência. Um exemplo recente ocorreu antes do início da partida entre Flamengo e Vasco, quando um homem foi baleado no pescoço em um ponto de ônibus em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, por ter sido confundido com um torcedor do time adversário.
Frente ao cenário preocupante, a juíza determinou que o Ministério Público do Rio se manifeste sobre o cumprimento dos TACs firmados com as torcidas organizadas. Em sua análise, Renata afirma que as medidas anteriores não têm sido eficazes, uma vez que as direções das torcidas não têm informado ou excluído participantes envolvidos em conflitos, desrespeitando cláusulas acordadas nos TACs.
“A situação é grave e não é inédita. O Ministério Público [MP] firmou TACs com torcidas organizadas que não têm se mostrado eficientes. As direções das torcidas não cumprem suas obrigações, o que fere a cláusula quarta dos TACs”, enfatizou a magistrada.
Renata Guarino conclui que, diante do aumento dos crimes relacionados aos membros dessas organizadas, que incluem agressões, depredação e homicídios, é necessário revisar e possivelmente extinguir esses acordos. Ela aguarda uma resposta do MP sobre a questão.



