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Entidades científicas pedem apuração rigorosa sobre crise no STF

Entidades científicas exigem investigação rigorosa sobre irregularidades no STF e alertam para o impacto na democracia e no debate público

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) expressaram, nesta quarta-feira (9), preocupação com a crise político-institucional que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). A manifestação ocorreu por meio de uma nota conjunta, que já contava com a adesão de 57 entidades científicas antes de ser divulgada ao público.

As instituições reivindicam uma apuração rigorosa e imparcial das suspeitas que geraram tensões entre as principais instituições da República. Além disso, enfatizam a importância de que as investigações sobre responsabilidades individuais sejam conduzidas pelas instâncias competentes, garantindo o direito à ampla defesa e ao contraditório para todas as partes envolvidas.

As entidades afirmaram que “os fatos se esclarecem com evidências, procedimentos claros e decisões fundamentadas, não com disputas de versões”. Elas rejeitaram qualquer tentativa de proteção pessoal a autoridades que possam ter infringido a lei, ressaltando que defender as instituições não equivale a proteger seus membros de investigação ou responsabilização. “Nenhuma autoridade está acima da lei ou dispensada do escrutínio público”, acrescentaram.

Além disso, a nota alerta para o risco de que o clima de instabilidade seja utilizado para disseminar desinformação ou atacar o regime democrático. Os signatários defendem a necessidade de transparência e de respeito às instâncias que possuem a responsabilidade constitucional de investigar os fatos.

As entidades afirmam que a confiança pública não será recuperada pelo silêncio ou pela precipitação, mas sim pela capacidade de apurar e responder a questionamentos legítimos, sem desqualificá-los ou antecipar condenações. A nota também destaca a importância de preservar a autonomia técnica dos órgãos de investigação e a independência do Poder Judiciário, sublinhando que disputas entre autoridades não justificam interferências indevidas em suas funções.

Em entrevista à Agência Brasil, a presidenta da SBPC, Francilene Garcia, afirmou que a iniciativa das entidades científicas visa defender a independência das instituições democráticas e os interesses da comunidade científica e da sociedade brasileira, sem se restringir a proteger indivíduos ou interesses políticos. Ela observou que a integridade das instituições impacta a vida republicana do país e que a atual crise político-institucional prejudica o debate sobre questões relevantes para a sociedade.

As entidades que assinaram a nota conjunta incluem, entre outras, a Associação Brasileira de Antropologia, a Associação Brasileira de Bioinformática e Biologia Computacional, e a Associação Brasileira de História. A lista completa de signatárias totaliza 57 entidades do campo científico e acadêmico.

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