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Brasileiros sacam R$ 10,5 bilhões da poupança em agosto de 2023

Saques da caderneta de poupança alcançam R$ 10,5 bilhões em agosto, e tendência de retiradas líquidas persiste devido à alta da Selic

A caderneta de poupança registrou uma saída líquida de R$ 10,5 bilhões em agosto de 2023, com mais saques do que depósitos, conforme relatório divulgado pelo Banco Central (BC) nesta quinta-feira (10). O total de depósitos no mês foi de R$ 357,7 bilhões, enquanto os saques somaram R$ 368,2 bilhões. Os rendimentos creditados nas contas de poupança atingiram R$ 6,5 bilhões, resultando em um saldo total de pouco mais de R$ 1 trilhão.

Este é o terceiro mês consecutivo com saídas líquidas na poupança. Em maio de 2026, houve uma leve entrada, mas, nos últimos anos, a tendência tem sido de mais retiradas do que depósitos. Nos primeiro semestre de 2023 e 2024, as retiradas líquidas chegaram a R$ 87,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões, respectivamente. Em 2022, o saldo negativo da poupança alcançou R$ 85,6 bilhões.

Até agosto deste ano, a caderneta acumula R$ 57,1 bilhões em retiradas líquidas. Entre os fatores que estimulam os saques está a manutenção da Selic, taxa básica de juros, em 14% ao ano, incentivando a aplicação em investimentos com melhor rendimento. A Selic, fixada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, ficou em 15% ao ano de junho de 2025 até março deste ano, o maior patamar em quase duas décadas. Embora o Copom tenha iniciado cortes na taxa em março, a elevada inflação, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, dificulta reduções mais significativas.

A Selic é crucial para o controle do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que visa a manter a inflação próxima da meta de 3%, com uma tolerância de 1,5 ponto percentual. O aumento da Selic tem como objetivo conter a demanda e os preços, uma vez que juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança.

No mês de julho, os preços dos alimentos recuaram, contribuindo para que a inflação oficial perdesse força pelo quarto mês seguido, resultando em uma variação de 0,07%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o IPCA registrou um acumulado de 4,44% em 12 meses, retornando à margem de tolerância da meta.

A divulgação da inflação referente ao mês de agosto está agendada para a próxima sexta-feira (11), segundo o IBGE.

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