CulturaEconomiaEducaçãoJustiçaMeio AmbientePolítica

UFRJ entrega diplomas póstumos a 23 vítimas da ditadura militar

UFRJ homenageia 23 estudantes e professores mortos pela ditadura militar com diplomas póstumos, reforçando a luta pela memória e justiça social

Nesta quinta-feira (9), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) homenageou 23 estudantes e dois professores mortos ou desaparecidos durante a ditadura militar com diplomas póstumos. Entre os homenageados estava Fernando Augusto da Fonseca, estudante de economia torturado e assassinado há 53 anos. Durante os 20 dias em que ficou em uma dependência do Exército no Recife, sua mulher grávida e seu filho de 3 anos foram mantidos em um hotel até a liberação da família após a entrega do corpo de Fernando.

A expulsão de Fernando da UFRJ e a fuga para o Nordeste ocorreram devido à sua militância estudantil e à repressão do regime militar. O reconhecimento, que ocorreu em cerimônia no Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, foi recebido pelo filho de Fernando, André Luiz Araújo da Fonseca, que destacou a importância do diploma como a realização de um sonho interrompido pelo autoritarismo. “Essa identidade como estudante de Economia era muito forte para ele. O diploma encerra um ciclo”, afirmou André, que é professor na mesma instituição.

O reitor da UFRJ, Roberto de Andrade Medronho, reforçou que a entrega dos diplomas representa um compromisso com a memória, a verdade e a justiça. “O amanhã depende da nossa coragem de lembrar, da nossa disposição de lutar pelo que acreditamos e, sobretudo, da nossa determinação de defender a democracia todos os dias”, disse ele.

O jornalista Franklin Martins, presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRJ em 1968, ressaltou o papel da resistência estudantil durante a repressão. Ele destacou a importância de manter viva a memória dos que lutaram pela democracia, enfatizando que isso serve como exemplo para as atuais lutas sociais. A coordenadora-geral do DCE Mário Prata, Malu Cerqueira, acrescentou que a cerimônia tem um significado de reparação às famílias dos desaparecidos e representa uma posição política frente ao momento atual.

A primeira cerimônia de diplomação póstuma ocorreu em julho de 2026, quando Stuart Angel Jones, estudante de economia assassinado em 1971, também recebeu reconhecimento. O levantamento dos homenageados foi realizado pela Comissão da Memória e da Verdade da UFRJ, com base em relatórios oficiais. Além de Fernando, os outros estudantes homenageados foram:

  • Adriano Fonseca Fernandes Filho
  • Ana Maria Nacinovic
  • Antônio de Pádua Costa
  • Antônio Teodoro de Castro
  • Antônio Sérgio de Matos
  • Arildo Airton Valadão
  • Áurea Eliza Pereira Valadão
  • Ciro Flávio Salazar e Oliveira
  • Flávio Carvalho Molina
  • Frederico Eduardo Mayr
  • Guilherme Gomes Lund
  • Hélio Luiz Navarro
  • Jana Moroni Barroso
  • José Roberto Spigner
  • Kleber Lemos da Silva
  • Luiz Alberto Andrade de Sá e Benevides
  • Maria Célia Corrêa
  • Maria Regina Lobo Leite Figueiredo
  • Mário de Souza Prata
  • Paulo Costa Ribeiro Bastos
  • Solange Lourenço Gomes
  • Sonia Maria Lopes de Moraes

Os outros dois homenageados que já eram formados ou atuavam como docentes na época de suas mortes foram Lincoln Bicalho Roque, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, e Raul Amaro Nin, pesquisador da Faculdade de Engenharia.

Mostrar mais
Leia também

Artigos relacionados

Deixe um comentário

Botão Voltar ao topo
Don`t copy text!

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios