Saúde

Assédio e estresse severo impactam saúde mental de jornalistas brasileiros

Pesquisa revela que 48% dos jornalistas brasileiros sofrem de insônia e 50% enfrentam depressão, agravados por assédio e falta de apoio no trabalho

Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (14) revela um quadro alarmante para os jornalistas no Brasil. O estudo, realizado pela Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho (Fundacentro) em parceria com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), aponta que as condições de trabalho, o constante assédio e o baixo apoio social expõem os profissionais da imprensa a sérios riscos à saúde mental.

Segundo o relatório, intitulado Condições de Trabalho e Saúde Mental de Jornalistas no Brasil, quase metade (48%) dos 257 jornalistas entrevistados afirmaram sofrer de insônia, um índice superior à média nacional de insônia, que varia entre 28,7% e 38%, conforme dados do Ministério da Saúde.

Além disso, 36% dos jornalistas relataram episódios de ansiedade, enquanto 50% enfrentam episódios de depressão, com 9% deles apresentando sintomas de depressão severa e 16%, sintomas extremamente severos. A pesquisa revelou, ainda, que 21,5% dos participantes consomem álcool em padrões considerados de risco ou nocivos.

As pesquisadoras Bruna Balarotti e Elaine Cristina Marqueze, que apresentaram os dados durante uma reunião do Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional, destacam que o jornalismo é uma profissão intrinsicamente ligada ao estresse e a riscos psicossociais. Um dado que se destaca é que 61% dos jornalistas afirmaram receber baixo apoio social no trabalho.

O estudo também evidenciou a prevalência de assédio moral, com pelo menos 26% dos profissionais relatando terem sido alvos de tal prática, percentual que pode atingir 37% em diferentes análises. Outra forma de assédio explícita pelos dados é o cyberbullying, que afeta 30% dos respondentes.

Para as autoras, esses números mostram que um número significativo de jornalistas enfrenta violências psicossociais em seus ambientes de trabalho, tanto físicos quanto digitais. Samira de Castro Cunha, presidenta da Fenaj, alertou que o ambiente de trabalho está caracterizado por altas demandas, baixo controle sobre as atividades e insuficiente apoio social, refletindo diretamente na saúde dos jornalistas e na qualidade da informação que a sociedade recebe.

“Esses dados revelam um cenário preocupante, que não apenas afeta a saúde dos profissionais, mas também compromete o direito da sociedade à informação”, concluiu Samira.

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