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Somente 1,5% das vagas para pessoas com deficiência são de liderança

Estudo revela que apenas 1,5% das vagas para pessoas com deficiência são de liderança, com a maioria concentrada em cargos operacionais

Um levantamento inédito da startup Egalite revela que apenas 1,5% das vagas destinadas a pessoas com deficiência (PcDs) ocupam posições técnicas e gerenciais. A pesquisa considerou dados de 116 mil profissionais cadastrados e mais de 19 mil vagas ativas no portal Inclui PcD, especializado em promover a empregabilidade desse público.

O estudo aponta que 98,5% das oportunidades oferecidas às PcDs são para posições operacionais. Ao mesmo tempo, 31% das candidaturas espontâneas desses profissionais são direcionadas a postos gerenciais e técnicos, mostrando uma discrepância entre as ofertas de emprego e as aspirações dos candidatos.

Apesar do cenário desafiador, a pesquisa indica avanços nas organizações que se dedicam à inclusão de PcDs. Metade das empresas analisadas no portal já disponibiliza todas as suas vagas, desde posições de entrada até cargos de liderança e especialistas, superando a exigência legal de cotas.

Djalma Scartezini, cofundador da Egalite e CEO da Rede Empresarial de Inclusão Social, afirmou que a predominância de vagas operacionais é resultado do perfil do varejo, que concentra a maior parte dos postos de trabalho. “Não existem cargos de liderança na mesma proporção que cargos de entrada”, ressalta Scartezini.

Embora reconheça a escassez de vagas gerenciais para PcDs, Scartezini acredita que o número de executivos com deficiência em cargos de direção está aumentando. Ele menciona a feira Inclui PcD, que gerou 19 mil oportunidades, das quais quase 4 mil eram destinadas a especialistas, coordenadores e líderes em início de carreira.

Outro dado importante da pesquisa aponta que a pretensão salarial média dos candidatos PcD é de R$ 1.450, abaixo do salário mínimo atual de R$ 1.621. Essa situação reflete uma tendência em que os trabalhadores aceitam receber menos do que o devido, muitas vezes devido a preconceitos que desqualificam profissionais com diferentes marcadores identitários.

Além disso, a pesquisa destaca uma queda significativa nas vagas remotas e híbridas para PcDs, que passaram de 28,4% em 2024 para apenas 0,8% em 2026. Guilherme Braga, CEO da Egalite, explica que o trabalho remoto elimina barreiras de mobilidade urbana e transporte público, que são dificultosos para muitas pessoas com deficiência física.

Para trabalhadores neurodivergentes, o ambiente de casa também serve como um regulador sensorial, permitindo que ajustem seu espaço de trabalho e administrem estímulos, reduzindo a sobrecarga social.

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