
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elaborou um relatório reservado que indica riscos de influência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2025. O documento alerta para uma crescente pressão estadunidense sobre o Brasil, conforme reportado pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmado pela TV Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça, o relatório classifica a possibilidade de interferência como de “nível de criticidade”. O texto vincula essa preocupação à intenção dos EUA de reafirmar sua hegemonia na América Latina e afastar rivais como a China de ativos estratégicos na região.
A Abin observou uma intensificação das ações dos EUA em relação ao Brasil nos últimos meses, apontando não apenas ingerências nas eleições, mas também medidas econômicas e políticas prejudiciais aos interesses nacionais.
Em meio a essas tensões, o governo brasileiro tenta manter boas relações diplomáticas e comerciais com os Estados Unidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem declarado, mesmo ao criticar as ações do governo de Donald Trump, que mantém uma boa relação com ele.
Desde abril de 2025, o Brasil vem enfrentando a imposição de tarifas de exportação de até 50% sobre produtos vendidos aos EUA. A situação se agravou em julho, quando Trump assinou uma ordem executiva considerando o Brasil uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional dos EUA, com o aumento tarifário sendo parcialmente justificado pela restrição à atuação de redes sociais no Brasil, como o Rumble e oX.
No mesmo período, a aplicação da Lei Magnitsky atingiu personalidades brasileiras, incluindo Alexandre de Moraes, ministro do STF, e sua esposa, resultando no bloqueio de ativos nos EUA e revogação de vistos.
Ainda assim, em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA derrubou tarifas impostas globalmente por Trump, determinando que essa ação interferia em poderes do Congresso. Embora isso tenha limitado a aplicação de tarifas, os EUA continuaram a inserir sobretaxas, que atualmente podem chegar a 37,5% sobre produtos brasileiros.
Além disso, em maio de 2026, os EUA designaram facções criminosas brasileiras, como Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital, como organizações terroristas, uma medida que o governo brasileiro tentou evitar temendo sanções e ações militares.
No início de agosto, houve a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti, provocando reações de repúdio por parte do governo brasileiro. Lula e Trump, apesar das críticas, mantêm diálogos frequentes, com reuniões e conversas telefônicas para discutir a relação comercial entre os dois países.
Os líderes se encontrarão na próxima Assembleia Geral da ONU, mas não há agendamento para um encontro bilateral específico. Lula, que abrirá o Debate Geral, e Trump, que fará o discurso subsequente, devem abordar questões de interesse mútuo e as tensões no relacionamento diplomático.



