Rio celebra tradição de Cosme e Damião com festividades e doces
Celebrantes das tradições católicas e de matriz africana se unem em festividades em honra a Cosme e Damião, destacando o valor da convivência e do amor comunitário

No domingo (27), a Paróquia de São Cosme e São Damião, localizada no Andaraí, Zona Norte do Rio de Janeiro, celebrou o dia dos santos em uma missa que atraiu devotos e simpatizantes. Entre eles, estava a professora Caroline Pinho de Araújo, de 40 anos, que compartilhou sua devoção aos irmãos. Desde a infância, Caroline agradece a São Cosme e São Damião por suas conquistas e realiza anualmente a distribuição de doces para crianças e adultos, reforçando o espírito de amor e alegria associada à celebração.
“Eu agradeço a eles meu emprego, minha saúde, a minha família. É importante manter essa tradição, que combate o ódio e a intolerância”, disse Caroline.
O padre Luiz Gustavo Menezes do Nascimento, vigário da paróquia, expressou sua alegria em receber peregrinos e compartilhou que ele também participa das festividades desde criança, quando recebia doces. Ele destacou a importância de relembrar a história dos santos, que foram martirizados pelo imperador romano Diocleciano.
Além da celebração religiosa na paróquia, as festividades se estenderam a outros locais, como no Terreiro de Umbanda Cosme e Damião, em Vila Isabel, onde a mãe de santo Ana Carolina Oliveira organizou uma festa com distribuição de doces, bolo e brinquedos. Oliveira, que segue a tradição há mais de 60 anos, lembrou que o sincretismo religioso é uma prática comum entre as religiões afro-brasileiras, que celebram Cosme e Damião como entidades espirituais infantis.
A massoterapeuta Vania Victorio Gonçalves da Silva, que acompanhou sua filha e uma amiga para o evento no terreiro, destacou a importância de manter viva a tradição familiar e a conexão com a história dos ancestrais. A estudante Mirele Marinho da Silva, de 14 anos, fez ecoar essa ideia, ressaltando a relevância de celebrar abertamente a cultura em um contexto de intolerância religiosa.
De acordo com o historiador Luiz Antonio Simas, Cosme e Damião foram médicos cristãos do século III, que realizavam atendimentos sem cobranças e, durante a perseguição romana aos cristãos, acabaram martirizados. A tradição em torno deles inclui a oferta de doces às crianças como símbolo de cura e alegria.



