
Um ataque a uma loja de artigos religiosos católicos em Fortaleza, ocorrido na madrugada de 9 de setembro, provocou temor entre a população local. Um cartaz colado na vitrine da loja alertava: “Se reabrir, todos morrem”. Na mesma noite, outros dois estabelecimentos católicos, além de um ponto de umbanda, tiveram suas fachadas incendiadas.
A Polícia Civil do Ceará iniciou investigações sobre os atentados. No dia seguinte, o Padre Josileudo Queiroz, da Igreja de São José Operário, usou suas redes sociais para comentar o ocorrido, afirmando que o Brasil é um país laico e que os ataques representam intolerância religiosa.
A onda de violência contra símbolos católicos não se limitou a Fortaleza. Um dia antes do ataque no Ceará, em Londrina (PR), uma imagem de Nossa Senhora Aparecida teve a cabeça arrancada. Em Salvador, duas outras imagens religiosas também foram destruídas, incluindo a de Nossa Senhora das Graças e a da Santa Dulce dos Pobres.
Na última quarta-feira (30), o ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, determinou que a Polícia Federal investigue os recentes ataques a imagens católicas em todo o país. As ocorrências de intolerância religiosa coincidem com a discussão sobre o título de padroeira do Brasil para Nossa Senhora Aparecida no contexto eleitoral.
Dados do Disque 100 apontam que, apenas no primeiro semestre deste ano, foram registradas 1.252 denúncias relacionadas à liberdade de crença ou intolerância religiosa. Embora os católicos tenham registrado um aumento nas denúncias, com 34 casos no primeiro semestre de 2026, os praticantes do candomblé e da umbanda são historicamente as principais vítimas, somando 270 denúncias, um aumento de mais de 40% em relação ao ano anterior.
Durante a Semana Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, líderes, como Rudelmar Faria da ACT Alliance, destacaram que a religião tem sido utilizada como uma ferramenta de exclusão política, afetando particularmente grupos vulneráveis, como mulheres, a população LGBTI+, povos indígenas e jovens de baixa renda.
A campanha eleitoral atual no Brasil também trouxe à tona polêmicas envolvendo Nossa Senhora Aparecida, especialmente em relação a postagens que associam o candidato à presidência Flávio Bolsonaro à intenção de retirar o título de padroeira do Brasil. O candidato recorreu à Justiça para a remoção de conteúdos falsos, levando a decisões judiciais divergentes.
Sobre as punições previstas para crimes de intolerância religiosa, o defensor público do Ceará, Igor Barreto, lembrou que esses crimes são imprescritíveis e não admitem fiança, podendo acarretar penas de um a cinco anos de reclusão e multa.
* Com colaboração de Márcia Vieira, da Rádio Universitária FM de Fortaleza



