
Em um domingo que marcou o primeiro turno das eleições de 2026, a participação ativa da terceira idade foi um destaque nas seções eleitorais de Brasília, especialmente na maior zona eleitoral do Distrito Federal, em Águas Claras. Elenita da Silva, de 71 anos, apesar de uma recente cirurgia no joelho que limitou sua mobilidade, não deixou de exercer seu direito ao voto, apoiada por uma bengala. “Nunca deixei de votar. Acredito que é essencial que todos participem, pois só assim podemos provocar mudanças”, afirmou.
Elenita, que pede que a saúde e a educação sejam prioridades para os novos governantes, reflete sobre a realidade dos idosos no país. Segundo dados, o Brasil abriga cerca de 16 milhões de pessoas acima de 70 anos, representando 10,6% do total de eleitores. Vale destacar que essa faixa etária possui voto facultativo desde 1988 e apresenta altos índices de abstenção; em 2022, 60% dos eleitores com mais de 70 anos não compareceram às urnas.
Valdeci Bezerra, um dos representes da parcela mais longeva da população, desafiou sua condição de saúde para comparecer às urnas. Aos 81 anos e se recuperando de um tratamento de câncer, ele teve apoio do filho para ir ao local de votação e enfatizou a importância da participação. “Precisamos votar para defender o nosso Brasil. Não podemos deixar para depois”, comentou.
“Temos que todos defender o que é nosso”, declarou Valdeci.
Lucilda de Oliveira, de 76 anos, também fez questão de votar, não por obrigação, mas em respeito aos filhos e netos. “Pedi a Deus a oportunidade de votar novamente, porque amo meu país”, destacou, acreditando que a honestidade e caráter devem guiar os novos governantes.
Jovens em busca de mudança
A uma distância de cerca de 20 quilômetros, no centro da capital, Cecília Borgato, de 17 anos, votou pela primeira vez e destacou a importância da juventude na escolha de seus representantes. “Votei em candidatos comprometidos com a tarifa zero e as cotas sociais, que considero essenciais”, explicou, enfatizando sua conexão com os desafios do transporte público.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 1,6 milhão de brasileiros entre 16 e 17 anos se registraram para votar nas eleições de 2026, uma queda em relação a 2022, que teve 2,1 milhões de jovens nesta faixa etária. Apesar da diminuição no registro, Cecília exalta a importância do envolvimento jovem na política: “O Brasil depende de nossas decisões. Se nos abstivermos, abrimos mão do nosso poder de escolha.”
Maria Clara, outra jovem que tirou seu título aos 16 anos, também abordou a importância da participação juvenil. “Espero que nossos representantes promovam um país mais justo e democrático”, concluiu, reforçando a esperança em um futuro promissor para a democracia brasileira.



