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Novo cenário de alianças no Oriente Médio após ataque do Hamas em 7 de outubro

Reorganização das alianças no Oriente Médio destaca novo eixo de poder e a crescente interligação de conflitos após ataque do Hamas em 2023

No dia 7 de outubro de 2026, completa-se três anos desde o ataque do Hamas a vilas no sul de Israel, um evento que mudou drasticamente o cenário geopolítico do Oriente Médio. O conflito desencadeou uma série de guerras e a reconfiguração de alianças militares e políticas na região.

O ataque, que deixou cerca de 1,2 mil mortos, foi seguido por uma retaliação militar israelense, considerada por especialistas como um ato de genocídio. Isso resultou na devastação de cidades em Gaza, como Rafah e Khan Yunis, com um número de mortes superando 74 mil.


Funcionários realizam restauração no Mercado de Grãos, danificado por ataques israelenses, em Khan Yunis, na Faixa de Gaza em 4 de outubro de 2026. | Foto: Reuters/Abdallah F.s. Alattar/Arquivo/Proibida reprodução
Funcionários realizam restauração no Mercado de Grãos, danificado por ataques israelenses, em Khan Yunis, na Faixa de Gaza em 4 de outubro de 2026. | Foto: Reuters/Abdallah F.s. Alattar/Arquivo/Proibida reprodução

Trabalhadores realizam obras de restauração no histórico Mercado de Grãos, gravemente danificado por ataques israelenses, em Khan Yunis, no Sul da Faixa de Gaza, em 4 de outubro de 2026 – Foto: Reuters/Abdallah F.s. Alattar/Arquivo/Proibida reprodução

Desde então, o Oriente Médio presenciou a queda do governo de Bashar al-Assad na Síria, a intensa guerra entre Israel e Hezbollah no Líbano, além dos confrontos de Israel e Estados Unidos contra o Irã, que culminaram no fechamento estratégico do Estreito de Ormuz e, mais recentemente, na retomada do confronto entre houthis no Iémen e a Arábia Saudita.

Bruno Huberman, professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), afirmou em entrevista à Agência Brasil que o ataque de 7 de outubro representou um “ponto de virada” que reestruturou as alianças geopolíticas no Oriente Médio.

Segundo Huberman, “o bloco pró-EUA não existe mais devido ao rompimento entre Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos e a guerra contra o Irã”, onde a Arábia Saudita adotou uma postura cautelosa enquanto os Emirados se alinhavam com Israel e os EUA. A ruptura se manifestou na saída dos Emirados da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep).

Acordo Militar de Meca

Em 7 de agosto de 2026, Turquia, Arábia Saudita e Paquistão firmaram o Acordo de Defesa Conjunta de Meca, que estabelece que qualquer agressão a um desses países será considerada um ataque a todos da aliança. Esse novo bloco militar, segundo Huberman, é uma consequência direta dos eventos de outubro de 2023.

Guerras Interligadas

Isabela Agostinelli, professora de Relações Internacionais da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), observa que as guerras que se seguiram ao 7 de outubro estão intimamente ligadas ao ataque do Hamas, que trouxe a questão palestina de volta ao centro das discussões regionais.


Isabela Agostinelli dos Santos, professora de Relações Internacionais da FECAP. | Foto: Fecap/Divulgação
Isabela Agostinelli dos Santos, professora de Relações Internacionais da FECAP. | Foto: Fecap/Divulgação

Isabela Agostinelli, professora de relações internacionais da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) – Foto: Fecap/Divulgação

Após o ataque, a Arábia Saudita, prestes a normalizar relações com Israel, afirmou que “não há qualquer acordo possível sem uma solução para a questão palestina”, reinserindo este tema nas discussões de paz. Isabela acredita que Israel ampliou suas operações de Gaza para o Cisjordânia, o Líbano e o Irã, visando reestruturar a ordem regional em benefício próprio.

“Esse esforço se baseia no caos e em guerras contínuas, que são altamente lucrativas para a indústria bélica israelense,” observou Agostinelli. Ela também destaca que por trás dessa agenda está o conceito da Grande Israel, que propõe uma expansão territorial do Estado israelense do Rio Nilo ao Rio Eufrates, englobando áreas do Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e Arábia Saudita.

Divisão no Golfo

O 7 de outubro também resultou em uma crescente fragmentação entre os países do Golfo, que tradicionalmente se uniam no Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). “Omã se aproximou do Irã, enquanto os demais países estão confusos sobre qual alinhamento seguir,” comentou Bruno Huberman.

Esse ponto de inflexão de outubro resultou na criação de três blocos de poder no Oriente Médio: os ultra-aliados dos EUA, representados por Israel e Emirados; um bloco intermediário; e o Eixo da Resistência, que se encontra enfraquecido após a queda de Assad na Síria e a desaceleração do Hezbollah no Líbano.

Por fim, especialistas sugerem que o ataque do Hamas em 2023 foi uma resposta aos Acordos de Abraão, que buscavam normalizar as relações entre países árabes e Israel, sem considerar a situação dos palestinos. Huberman destaca que um possível acordo entre Israel e Arábia Saudita poderia facilitar a formação do Corredor Econômico Índia-Oriente Médio-Europa (IMEC), uma rota logística crucial para a Europa, que busca diminuir sua dependência de energias russas e produtos chineses.

“O 7 de outubro ocorreu em um contexto de crescente colonização israelense na Cisjordânia e Jerusalém Oriental, resultando em uma resposta ao longo de décadas de ocupação e colonização,” concluiu Huberman.

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