Memorial das Vítimas da Violência é Reinaugurado no Complexo da Maré

Memorial das Vítimas da Violência é revitalizado no Complexo da Maré, homenageando mais 18 pessoas vítimas de confrontos armados e fortalecendo a memória comunitária

O Complexo da Maré, conjunto de favelas na zona norte do Rio de Janeiro, se destaca por sua resistência diante da violência armada, que ceifou a vida de dezenas de moradores na última década. Dados da organização não governamental Redes da Maré revelam que as operações policiais resultarão em 160 mortes entre 2016 e 2025. Agora, a memória dessas vítimas ganha um novo significado com a revitalização do Memorial das Vítimas da Violência Armada na Maré, idealizado pela artista Laura Taves.

Inaugurado em 2022, o memorial é uma instalação feita de azulejos azuis e brancos, que homenageia 127 pessoas afetadas pela violência. Recentemente, a obra passou por reformas, incluindo a renovação dos azulejos e jardins, além da adição de bancos e um velário. Com a revitalização, mais 18 azulejos foram inseridos, ampliando a homenagem a outras vítimas que perderam suas vidas devido à violência. A reinauguração do espaço está marcada para esta quinta-feira (5).

A instalação, também conhecida como Praça da Paz, está estrategicamente localizada em uma área de fronteira entre duas comunidades, a favela Nova Holanda e a Baixa do Sapateiro, ambas sob a influência de facções criminosas rivais. A pesquisadora Tainá Alvarenga, da Redes da Maré, destaca a importância do local: “É uma área que está bastante marcada pela luta dos moradores, por sua resistência, mas também pela violência”. Ela ainda explica que familiares das vítimas colaboram na pintura dos azulejos, unindo arte e memória em um forte ato de mobilização comunitária.

“Este memorial engloba não apenas uma intervenção urbana, mas também uma mobilização das famílias para pensarem sobre memória e o direito ao luto”, afirma Alvarenga.

Além da reinauguração do memorial, o Complexo da Maré promove, entre esta quinta-feira e o próximo sábado (7), um seminário dedicado à construção de caminhos de memória, justiça e reparação para as vítimas da violência armada e seus entes queridos. “Com o seminário, queremos enfatizar a memória e o direito ao luto das famílias que sofreram com os confrontos entre grupos criminosos e as operações policiais”, conclui Tainá. “Essa é uma maneira de marcar o território e proporcionar um espaço para que as famílias compartilhem suas memórias e reivindiquem melhorias na segurança pública”.

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