

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, defendeu que a decisão que afastou preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, deva ser analisada pelo plenário da corte, e não pela Segunda Turma. Mendes destacou que existem elementos que indicam um possível conflito entre a decisão e um precedente vinculante do STF, que estabelece a neutralidade do Estado em disputas eleitorais.
A manifestação de Mendes foi feita em um despacho protocolado nesta terça-feira (8), no qual ele pediu vista do processo, interrompendo o julgamento na Segunda Turma. Mesmo com o pedido, a liminar que mantém os diretores afastados segue em vigor, já que a maioria do colegiado, com votos de Luiz Fux e Nunes Marques, apoiou a decisão do relator, André Mendonça, em uma ação apresentada pelo Partido Novo.
Gilmar Mendes argumentou que o afastamento foi determinado a partir de solicitação de um partido político, o que poderia contrabalançar normas do Código de Processo Penal e do Regimento Interno do STF referentes ao sistema acusatório. Ele citou um caso anterior, a ADPF 1.017, em que o STF suspendeu o afastamento do então governador de Alagoas, Paulo Dantas, alegando que o Judiciário deve evitar decisões que impactem o processo eleitoral.
Outro ponto levantado por Mendes é a competência da Segunda Turma para deliberar sobre o afastamento dos diretores da PF. O ministro enfatizou que a decisão de Mendonça sugere que o relatório de inteligência que fundamentou os afastamentos foi criado por provocação de um membro da Primeira Turma do STF, referindo-se ao ministro Alexandre de Moraes, o que, em sua visão, tornaria a análise uma atribuição do Plenário.
Mendes também criticou a falta de tempo para avaliar a liminar, afirmando que a pauta foi incluída menos de uma hora antes do início da sessão virtual, o que impediu uma análise completa dos autos. Ele considerou a situação grave, dado que a decisão envolve o afastamento do principal dirigente da Polícia Federal.
Em resposta à situação, a Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, a suspensão imediata da decisão de afastar Andrei Rodrigues da direção-geral da PF.



