Saúde

Pacientes deixam de ir a hospitais por medo

Mesmo em meio a tratamento de suas doenças, boa parte não está indo por causa do COVID-19

A saúde brasileira está tendo quedas nos atendimentos e tratamentos para pacientes que sofrem de câncer, problemas cardíacos e outras doenças. As pessoas estão deixando de ir aos hospitais por conta do medo de contrair o novo coronavírus. As internações na rede pública e privada tiveram queda de 27%. Enquanto que a Associação Nacional de Hospitais Privados registrou que os atendimentos de emergência caíram 40%.

A deputada federal Rosana Valle (PSB) preocupada com esta situação delicada que a saúde está passando e a vida dos brasileiros. Ela fez a reivindicação com ofício ao Ministério da Saúde, a realização de campanha nacional de orientação da população sobre a importância de se buscar atendimento médico para tratar outras enfermidades.

“A pandemia da COVID-19 afugentou pacientes em risco de morte de emergências e atendimentos”, disse Rosana Valle citando, por exemplo, a Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, que apontou uma queda de 50% nos atendimentos a pacientes com infarto, em comparação com o mesmo período de 2019. Em São Paulo, no Instituto do Coração (Incor), maior referência nos tratamentos cardíacos do país, registrou queda de 45% no atendimento.

A deputada federal cita Ary Ribeiro, editor do Observatório 2020 e CEO do Sabará Hospital Infantil, em São Paulo, que alertou que esta fuga dos hospitais se intensificou a partir da segunda quinzena de março. “A preocupação dos hospitais está na redução da busca por tratamento para problemas de saúde que não podem esperar e não apresentaram redução de casos, mesmo com a quarentena. Nesse grupo, estão doenças crônicas e problemas agudos que necessitam de pronto atendimento”, disse a parlamentar.

De acordo com os dados da Ahahp, os atendimentos por câncer tiveram 23% menos internações nesse primeiro quadrimestre. Nos casos de problemas do aparelho circulatório (como infarto), as internações caíram 21%. “Não é razoável que a necessidade desses atendimentos tenha caído assim. Existem várias publicações e estudos atestando a redução da ida das pessoas ao pronto-socorro. É preciso passar essa informação para as pessoas que precisam de cuidados continuados buscarem os hospitais. São dois hospitais dentro de um só, esperando esse fluxo com toda segurança”, comenta o CEO do Sabará Hospital Infantil, ressaltando o trabalho de separar os pacientes da COVID-19 dos demais.

Uma das maiores preocupações é em relação às consequências geradas no caso de exames para detectar neoplasias. Especialistas lembram que está havendo adiamento de diagnóstico de cânceres, o que significa que pessoas não serão tratadas no tempo correto. E em câncer isso é fundamental para o prognóstico.

Ribeiro, em entrevista ao Portal UOL, faz uma ressalva: “É necessário fazer análises regionalizadas da situação dos hospitais, já que há locais em que toda a rede de saúde está sobrecarregada em decorrência da pandemia de Covid-19. É preciso ter muito equilíbrio na utilização dos recursos”, afirmou o especialista, ressalvando que esse estudo não tem como objetivo estimular a ida de pessoas aos hospitais.

“É para esclarecer que quem tem problemas tem de ir. Essa queda de demanda não é benéfica ao sistema de saúde. A onda de demanda para COVID-19 trouxe uma outra, de represamento de condições de atendimento de doenças crônicas que podem agudizar”, concluiu.

Ações nas prefeituras

Além de pedir ao Ministério da Saúde uma campanha de conscientização das pessoas para buscar ajuda na rede de saúde diante de sintomas, Rosana Valle solicita que o Governo Federal aproveite a eficácia dos drive thrus utilizados pelas prefeituras em testes e vacinações para promover um pré-atendimento e quando necessário viabilizar agendamento médico na rede pública.

A deputada federal ainda sugere utilizar os sistemas dos programas de saúde da família, existentes pelo Brasil, para realizar uma busca ativa em pacientes já cadastrados ou não. A intenção é impedir que fiquem esquecidos em casa e venham a morrer por falta de atendimento.

A parlamentar recomenda que as secretarias de saúde das cidades analisem suas situações específicas e, diante dos recursos e efetivos disponíveis, tracem suas estratégias para enfrentar este problema, antes que tome proporções maiores e venha a se somar ao já dramático quadro da pandemia. “Com estes projetos das prefeituras em mãos, vamos pedir ajuda ao Governo Federal”, concluiu.

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