Takhi, cavalo selvagem, renasce como símbolo de restaur ação na Mongólia
Cavalo selvagem takhi volta à Mongólia após extinção e se torna símbolo de um programa de conservação bem-sucedido e de orgulho nacional

No Parque Nacional Hustai, na Mongólia, 354 cavalos selvagens takhi estão agora livres, após décadas de extinção na natureza. O retorno dos takhi, também conhecidos como cavalos-de-Przewalski, ao seu habitat original é resultado de um projeto de restauração que envolveu esforços de pesquisadores locais e internacionais.
O takhi é um símbolo importante da cultura mongol, presente em roupas, brinquedos e murais. Para o diretor do parque, Dashpurev Tserendeleg, a reintrodução do animal representa um retorno a um orgulho nacional. “Takhi significa respeito e adoração. Fala do espírito livre e da resistência. São muito especiais para os mongóis”, afirmou Tserendeleg à Agência Brasil.
O cavalo takhi, geneticamente distinto do cavalo doméstico, possui 66 cromossomos, enquanto os domésticos têm 64. É também menor e apresenta características físicas diferentes, como um focinho mais claro e uma cauda menos espessa.
A espécie despertou o interesse de colecionadores e zoológicos no final do século 19, quando o explorador russo Nikolai Przhevalsky enviou espécimes para a Europa. Entre 1897 e 1903, 88 cavalos foram capturados na Mongólia, mas a população selvagem começou a desaparecer rapidamente, culminando na extinção em 1968, quando o último takhi foi avistado no país.
Na década de 1970, conservacionistas holandeses iniciaram um programa de reprodução em cativeiro, que resultou na reintrodução de 15 cavalos no parque em 1992. O processo incluiu um período de adaptação em áreas cercadas para que os animais se habituassem ao ambiente selvagem.
Desde então, a população de takhi cresceu, com cerca de 800 indivíduos atualmente distribuídos em várias áreas do país. Tserendeleg destacou que essa experiência demonstra como a cooperação internacional pode evitar a extinção de uma espécie.
Entretanto, a sobrevivência dos takhi enfrenta desafios, como a degradação das estepes, afetadas pela mudança climática e pela pressão do rebanho doméstico. A Mongólia possui aproximadamente 58 milhões de animais de rebanho, o que gera preocupação quanto à preservação do habitat dos takhi.
Para garantir a conservação, o Parque Nacional Hustai, com 50 mil hectares, depende principalmente do turismo, respondendo por 90% de sua receita. Algumas estratégias têm sido implementadas para ajudar as famílias nômades a diversificarem suas fontes de renda, diminuindo a dependência da pecuária e, assim, reduzindo a pressão sobre o solo.
O parque apoia iniciativas de turismo comunitário, agricultura em estufas e artesanato como alternativas econômicas. “Se os pastores tiverem outras fontes de renda, não precisarão aumentar tanto o número de animais”, concluiu Tserendeleg.
*O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.



