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Dia do voluntariado promove saúde mental entre comunidades vulneráveis

Profissionais de saúde promovem iniciativas de voluntariado que fortalecem a saúde mental em comunidades afrontadas por crises e desastres naturais

No Dia Nacional do Voluntariado, celebrado nesta sexta-feira (28), a psicóloga Esly Carvalho, especialista em traumas e atuante em Brasília, reflete sobre o impacto transformador do trabalho voluntário em sua vida e na vida de outros. Motivada por desastres como terremotos, guerras e enchentes, Esly começou a oferecer apoio em causas humanitárias, treinando profissionais para lidar com pacientes em situações de estresse pós-traumático.

Com 45 anos de experiência, Esly desenvolveu uma abordagem terapêutica chamada EMDR, que ajuda a desbloquear memórias dolorosas. Na Venezuela, ela implementou um programa de intervenção e já treinou mais de 100 colegas, que atenderam mais de 500 pessoas afetadas por um terremoto que matou mais de 6 mil pessoas em junho deste ano. Os atendimentos são realizados semanalmente, via online, de forma gratuita.

Deglya Flores, psicoterapeuta de Caracas e uma das profissionais capacitadas por Esly, relata estar profundamente impactada pelas cenas do terremoto. “Estávamos todos altamente perturbados, e a ajuda foi muito bem-vinda”, afirma. A equipe também oferece suporte a vítimas do terremoto na Colômbia, ajudando com escuta e assistência em acampamentos na região mais afetada.

Uma outra ação notável no contexto do voluntariado é o projeto Help, que se iniciou em 2017 a partir de seis amigos em São Paulo. Com o objetivo de ajudar pessoas em crise, eles deixavam mensagens em locais públicos com seus contatos. Hoje, o projeto conta com 7 mil voluntários em todo o Brasil e uma página no Instagram com 389 mil seguidores.

Os voluntários, entre eles Felipe Santos, coordenador nacional do projeto, realizam ações de escuta em locais como rodoviárias e parques, além de oferecerem atendimentos remotos. Felipe destaca que jovens têm buscado cada vez mais esse suporte, relatando problemas emocionais associados a tecnologias e atividades de apostas online.

Em Brasília, o militar da Marinha Thiago Domingos, de 31 anos, se tornou voluntário após testemunhar casos de suicídio entre jovens nas Forças Armadas. Ele lidera uma iniciativa de prevenção voltada a ajudar aqueles sem recursos para consultas psicológicas. Nos últimos anos, o projeto atendeu cerca de 5 mil pessoas, incluindo 15 psicólogos voluntários que atuam frequentemente.

Juliana Cei, psicóloga de 38 anos, atua em espaços públicos, conforme sua disponibilidade, sentindo-se realizada por contribuir em um momento de crise de saúde mental generalizada. Ela nota uma crescente demanda entre mulheres e jovens, que frequentemente compartilham histórias sensíveis durante os atendimentos.

O psicólogo Lucas Hedler, de 45 anos, também se dedica ao trabalho voluntário, criando grupos de apoio para pessoas trans. Ele aponta a necessidade de um espaço seguro para compartilhar experiências e enfrentar inseguranças. Lucas planeja expandir sua atuação, focando também em questões relacionadas ao autismo, que é frequentemente mais prevalente nesse grupo.

Para quem busca apoio em saúde mental, existem opções gratuitas, como o CVV (Centro de Valorização da Vida), que oferece atendimento pela linha 188, e a Rede de Atenção Psicossocial do SUS.

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