
Cerca de 94 milhões de brasileiros são leitores digitais, segundo pesquisa da Nielsen BookData divulgada nesta quarta-feira (2). O levantamento, que traça o perfil e os hábitos desses leitores, revela que muitos acessam notícias, livros, audiolivros, pdfs, quadrinhos e mangás por meio de dispositivos como celulares, notebooks e e-readers.
A pesquisa, realizada entre 1º e 11 de junho de 2023, evidenciou o consumo predominante de notícias e livros digitais, além de artigos em blogs e audiolivros. Destes leitores digitais, 64% pertencem às classes C (46%), D e E (18%), enquanto 29% são da classe B e 7% da classe A.
Um exemplo do novo perfil de leitor digital é a técnica de enfermagem Maria das Neves de Araújo Alves, de 60 anos, que reside em Valparaíso de Goiás e utiliza seu tempo de deslocamento para ler. “Prefiro ler no telefone porque ele está sempre comigo. Posso ler no ônibus, no posto de saúde, em quase todo lugar”, relatou à Agência Brasil. Nevinha, como é conhecida, mantém o hábito de leitura há pelo menos quatro anos, optando por livros de romance e ação que seleciona em plataformas digitais.
Ao escolher sua plataforma de leitura, Nevinha destacou a conveniência de não precisar fazer downloads, economizando dados móveis e espaço no celular. Ela afirmou que os livros impressos são mais pesados e difíceis de carregar no dia a dia. A tecnologia, segundo ela, eliminou barreiras práticas que antes dificultavam o acesso à leitura.
Os dados da pesquisa mostraram que 72% dos leitores digitais utilizam smartphones para acessar conteúdos, e 85% lêem outros tipos de textos além de livros em dispositivos móveis. Além disso, 48,8% dos entrevistados afirmaram ter consumido livros e audiolivros gratuitos em sites e aplicativos não oficiais, evidenciando a ampla circulação de conteúdos digitais.
Rodrigo Meinberg, CEO da plataforma digital de leitura Skeelo, afirmou que as telas têm se mostrado aliadas na formação de novos leitores, citando a importância das redes sociais na promoção de novos autores e na democratização do acesso à leitura. Ele destacou que a maioria das livrarias, conforme dados do IBGE, se concentra em 18% dos municípios brasileiros, enquanto a infraestrutura de telefonia móvel alcança uma ampla população, criando uma oportunidade para a formação de novos hábitos de leitura.
O presidente do Instituto para a Democratização da Leitura Digital, Rafael Lunes, complementou, ao afirmar que a tecnologia permitiu que a cultura e a educação rompam barreiras físicas. Ele salientou o paradoxo existente no Brasil, onde há uma alta taxa de alfabetização, mas milhares de municípios ainda não possuem livrarias ou bibliotecas. A meta, segundo Lunes, é promover leitores habituais que tenham acesso a bons livros, aproveitando a tecnologia como aliada nesse processo.



