
Um relatório da Polícia Federal (PF) revela que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, tinha acesso irregular a informações confidenciais sobre investigações em andamento contra ele. O acesso se dava por meio de um grupo conhecido como “A Turma”, responsável por vigilância e coerção privada, com ligações a policiais federais e até à Interpol.
O documento, de 164 páginas, foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias envolvendo Vorcaro e o Banco Master. O sigilo da investigação foi levantado a pedido do presidente do STF, Edson Fachin.
Segundo as investigações, Vorcaro pagava R$ 1 milhão mensais a “A Turma”, que incluía Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, chamado de “Sicário” no relatório. Mourão foi contratado para realizar acessos regulares e não autorizados a processos sigilosos no Ministério Público Federal (MPF), na PF, na Polícia Civil e no Banco Central.
A PF destaca que o acesso clandestino foi feito utilizando logins de terceiros. As mensagens interceptadas incluem pedidos de informações sobre inquéritos policiais, com uma interação específica entre Vorcaro e Mourão, onde o banqueiro pediu atenção especial para um determinado caso.
O relatório também revela que Mourão tinha acesso ilícito aos sistemas do MPF e foi preso em março de 2026 durante a terceira fase da operação. A PF identificou que o acesso irregular partiu da Delegacia da Polícia em Juiz de Fora (MG).
As investigações descobriram que Mourão enviava comprovantes de consultas feitas sob o CPF de Vorcaro, identificando 15 procedimentos relacionados ao banqueiro, 11 deles sigilosos. As buscas eram realizadas com termos que incluíam “BRB AND MASTER”, em referência ao Banco de Brasília, investigado por sua ligação com o Banco Master.
Em conversas interceptadas, Vorcaro exigiu informações rápidas e completas, tentando ocultar a sua identificação no sistema. A PF insinuou que o servidor envolvido sabia da irregularidade ao tentar apagar seu nome das consultas. Além disso, a PF levantou suspeitas sobre o nível de acesso à Interpol e ao FBI, sugerindo uma intrusão significativa em órgãos de segurança internacional.
Os delegados afirmaram que Vorcaro poderia ter buscado acesso legal às investigações, mas optou por meios ilícitos por meio de Mourão, que forneceu apoio em atos de violência e coerção, visando intimidar testemunhas.
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, após uma série de crises financeiras e violações normativas. A relação entre Vorcaro e diretores do BC, supostamente com pagamentos ilícitos, foi apresentada nas investigações. Vorcaro foi preso em novembro de 2025 e novamente em março de 2026, situação que permanece. Mourão, por sua vez, morreu na prisão após uma tentativa de suicídio poucos dias após sua detenção.



