Dermatite atópica afeta sono e autoestima; conheça os tratamentos
Dermatite atópica compromete sono e autoestima, impactando a vida social; tratamentos incluem terapias imunobiológicas e cuidados diários com a pele

A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica que afeta não apenas a pele, mas também o sono, a saúde mental e a autoestima dos pacientes. Os principais sintomas incluem coceira intensa, que pode resultar em feridas sensíveis ao toque. Clara Emery, uma estudante de medicina de 23 anos, compartilha sua experiência com a doença, que a acompanha desde o nascimento.
Clara relembra que, em suas crises mais severas, chegou a tomar antibióticos para prevenir infecções nas feridas que se formavam em sua pele. A jovem descreve momentos de sofrimento ao deitar na cama ou tomar banho, enfatizando que a dermatite atópica lhe causou crises de choro e angústia. “Minha mãe diz que eu já tinha a doença assim que nasci. Lembro claramente da minha infância e dos fatores que a desencadeavam”, relata.
A dermatite comumente afeta as dobras da pele, como atrás dos joelhos e cotovelos, mas também se manifesta na face e ao redor dos olhos de Clara. Ela identifica alimentos e fatores ambientais, como sol, grama e ácaros, como gatilhos para suas crises. “Era como se eu tivesse alergia ao mundo. O estresse em diferentes fases da vida geralmente intensificava a alergia”, explica, acrescentando que já enfrentou preconceitos na escola, onde colegas questionavam se ela tinha doenças contagiosas.
Atualmente, Clara se submete a um tratamento imunobiológico que controla suas crises mais graves. No entanto, a medicação é cara, custando mais de R$ 10 mil por caixa, mas é coberta integralmente pelo seu plano de saúde. “Tentei vários tratamentos, mas o imunobiológico foi o que realmente funcionou”, afirma.
A dermatologista Rosana Lazzarini ressalta o impacto significativo da dermatite atópica na qualidade de vida dos pacientes. A coceira intensa prejudica o sono e pode afetar o desempenho escolar e profissional. Cerca de 40% das crianças com a condição continuarão a enfrentá-la na vida adulta. Além disso, a dermatite atópica carrega estigmas sociais que levam ao afastamento do convívio social e podem resultar em bullying.
O Dia Nacional de Conscientização da Dermatite Atópica, celebrado em 23 de setembro, foi instituído pela Lei 14.916/24 com o objetivo de informar sobre a doença e combater o preconceito. O presidente da Associação de Apoio à Dermatite Atópica (AADA), Roberto Takaoka, destaca que a falta de informação frequentemente leva a mal-entendidos sobre a doença, que não é contagiosa. Ele enfatiza a necessidade de campanhas de conscientização para reduzir o estigma e o isolamento enfrentado pelos pacientes.
Rayane Lopes, uma jornalista de 34 anos que vive no Recanto das Emas, no Distrito Federal, também compartilha sua luta contra a dermatite atópica, diagnosticada aos 18 anos. Ela relata que sua primeira crise foi intensa e afetou grande parte de seu corpo. Rayane reconhece que o estresse pode desencadear novos surtos, e já teve que lidar com a falta de compreensão de pessoas ao seu redor. “Evito roupas que mostrem as manchas e não gosto de tomar sol”, diz.
A dermatite atópica é classificada como uma doença com causas multifatoriais, envolvendo aspectos genéticos, ambientais e imunológicos, segundo a dermatologista Rosana Lazzarini. O diagnóstico é clínico, baseado nas lesões visíveis e na cronicidade da condição. O tratamento inclui cuidados com a pele, uso de hidratantes e, em casos mais graves, medicamentos imunossupressores. A hidratação frequente da pele é essencial, mas pode ser um ônus financeiro para as famílias, pois a doença exige cuidados constantes.
Medicamentos modernos, ainda não disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS), estão apenas na rede privada. A AADA busca promover a saúde dos pacientes por meio de arte, ciência e educação, além de oferecer grupos de apoio e materiais educativos para auxiliar pacientes e suas famílias.



