Consumo domiciliar apresenta crescimento de 2,7% até setembro, aponta Abras
Consumo domiciliar no Brasil continua em alta, com crescimento de 2,7% até setembro, mesmo diante de desafios orçamentários das famílias

O consumo nos lares brasileiros apresentou um crescimento de 2,70% de janeiro a setembro, conforme dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Este percentual mostra-se praticamente estável em relação aos 2,71% acumulados até agosto, refletindo um cenário de continuidade no desempenho do setor.

No mês de setembro, o consumo registrou um crescimento de 0,59% em comparação ao mesmo período de 2025. No entanto, na análise mensal, houve uma queda de 1,46%, após dois meses consecutivos de alta, com crescimento de 3,01% em julho e 2,21% em agosto. É importante notar que, em setembro de 2024 e 2025, também foram observadas quedas, com -1,30% e -0,94%, respectivamente.
Esses dados foram ajustados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE, e abrangem todos os formatos de supermercados, desde os estabelecimentos de bairro até grandes redes.
Perspectivas de Consumo
Segundo Marcio Milan, vice-presidente da Abras, o consumo mantém um padrão positivo ao longo deste ano, mesmo diante de um cenário em que as famílias precisam equilibrar o abastecimento de suas casas com outros compromissos financeiros. “Os resultados acumulados até setembro reforçam essa tendência”, afirmou Milan.
O vice-presidente ainda destacou os indicadores favoráveis do mercado de trabalho como um impulso para o consumo. A taxa de desocupação permanece em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, enquanto a população ocupada atingiu 103,5 milhões de pessoas, o que representa o maior número registrado na série histórica.
“O rendimento médio real habitual alcançou R$ 3.777, um crescimento de 3,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Além disso, a massa de rendimento real habitual chegou a R$ 385,6 bilhões, também um recorde, com um avanço de 4,8%, traduzindo-se em R$ 17,5 bilhões a mais”, revelou.
Milan também mencionou a importância do Bolsa Família, que distribuiu R$ 13,04 bilhões a cerca de 19,3 milhões de famílias em setembro, e a liberação de R$ 3,22 bilhões pelos Tribunais Regionais Federais para o pagamento de Requisições de Pequeno Valor (RPVs), beneficiando mais de 278 mil cidadãos, além do pagamento de 521,9 mil restituições do Imposto de Renda.
Desafios e Oportunidades
O vice-presidente da Abras ressaltou como uma das conquistas mais significativas do governo atual a isenção de impostos sobre produtos da cesta básica, que agora inclui uma gama maior de itens, como proteínas (carne, frango, peixe), uma medida que deve ajudar a manter o consumo saudável.
Entretanto, expressou preocupação em relação a novas taxas de impostos que podem ser anunciadas no início da nova gestão, sugerindo que isso não onere o restante dos produtos da cesta básica e de consumo. Também há um receio quanto ao nível de endividamento das famílias e as estratégias governamentais a serem adotadas neste sentido.
Milan reafirmou a importância de manter a proibição das apostas, que impulsionaram o consumo. De acordo com dados recentes da Abras, as vendas de alimentos aumentaram 6,5% entre 5 a 11 de outubro e 6,3% entre 12 a 18 de outubro, ambas as comparações feitas com o mesmo período do ano anterior.
Além disso, ele mencionou a aprovação do fim da jornada de trabalho 6×1 e a redução da carga horária dos funcionários, destacando o papel vital dos supermercados durante a pandemia como serviço essencial. Contudo, expressou preocupação de que tais mudanças legislativas possam desorganizar o sistema de abastecimento de forma geral.



