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Indígenas de Mato Grosso do Sul relatam aumento de violência e ameaças após eleições

Indígenas Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul enfrentam crescentes ameaças e violência, incluindo tentativas de assassinato e envenenamento da água após as eleições

Após as eleições presidenciais de domingo, indígenas da etnia Guarani Kaiowá, em Mato Grosso do Sul, relataram uma série de incidentes de violência, que incluem tentativas de assassinato e ameaças de envenenamento da água da comunidade.

De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ao menos cinco assassinatos de indígenas na região estão sob investigação desde o último sábado (24). O coordenador do Cimi em Mato Grosso do Sul, Matias Benno Rempel, afirmou que as comunidades relataram episódios de intimidação durante a votação. “Houve caminhonetes circulando pelo território e ocorrências de agressões aos indígenas, que visavam criar pânico e intimidá-los para que não fossem votar”, explicou.

A violência contra os Guarani Kaiowá, no entanto, não se limita a esse período eleitoral.

“Agora temos holofotes sobre a região. Mas a violência, incluindo tentativas de assassinato, são comuns para a população indígena Guarani Kaiowá. O que está sendo identificado como violência pós-eleitoral é, na verdade, parte de um problema contínuo, alimentado por milícias que atuam no campo”, destacou Rempel.

A Fundação Nacional do Índio (Funai), o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) já solicitaram ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal a investigação das denúncias. Um dos casos refere-se a um atropelamento intencional de um indígena na cidade de Coronel Sapucaia, no sudoeste do estado, que faz fronteira com o Paraguai.

Dados da Apib revelam que, entre 2022 e 2026, seis indígenas da etnia Guarani Kaiowá foram assassinados em Mato Grosso do Sul.

Ameaça de Envenenamento da Água

Outra denúncia que está sendo apurada pelo Ministério Público Federal envolve uma ameaça de envenenar a água consumida pela comunidade, como forma de retaliação ao resultado da eleição.

Um áudio, supostamente de um funcionário da prefeitura de Tacuru, no sul do estado, revela a incitação ao crime. Na gravação, o homem sugere que os indígenas deveriam ser mortos pelo voto no candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT): “ponha veneno na água, vamos matar essas praga na água”, diz o áudio.

Ricardo Terena, coordenador do departamento jurídico da Apib, ressaltou que a água na região é escassa e as comunidades dependem de caminhões-pipa. Após a divulgação do áudio, muitos indígenas decidiram não consumir mais essa água. O MPF de Mato Grosso do Sul estabeleceu um prazo de 24 horas para que a prefeitura de Tacuru confirme a veracidade dos áudios, identifique o autor das ameaças e informe quais medidas estão sendo adotadas.

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