Esporte

Penta do Brasil completa 18 anos

Último título da Copa do Mundo ocorreu no Brasil

Domingo, 30 de junho de 2002. O Brasil era o finalista da Copa do Mundo do Japão e Coreia do Sul após vencer todos os seus seis jogos anteriores: três no Grupo C, com Turquia, China e Costa Rica, a Bélgica nas oitavas de final, a Inglaterra nas quartas e outra vez a Turquia, mas na semifinal. O jogo em Yokohama, Japão era o mais aguardado pelos brasileiros e também pelos alemães, o adversário da decisão.

Mas antes de falar sobre esta partida, é bom lembrar um pouco atrás de como estava a Seleção Brasileira. Depois do vice-campeonato na Copa da França, em 1998, a equipe até conseguiu ganhar uma Copa América no ano seguinte, mas acumulou uma série de problemas. Dentro de campo, o maior astro do time, Ronaldo, sofreu uma séria lesão no joelho e ficou sem jogar por dois anos. Só retornou em 2002, no último amistoso.

Depois o desempenho da equipe em competições como os Jogos Olímpicos de Sydney 2000, a Copa América de 2001 e a campanha sofrível nas Eliminatórias Sul-americanas geraram uma série de dúvidas aos torcedores sobre como é que o Brasil iria disputar a Copa. A classificação só veio no último jogo, contra a Venezuela, onde os brasileiros venceram por 3 a 0.

Nesse caminho também ocorreram trocas de técnicos que prejudicaram o desempenho da equipe. Vanderlei Luxemburgo até vinha fazendo um ótimo trabalho. Mas seu nome esteve envolvido num caso de CPI e foi demitido. Depois foi a vez de Candinho assumir o cargo, mas por um jogo. Emerson Leão foi o escolhido para dirigir a Seleção Brasileira. Mas o desempenho foi muito abaixo do esperado e as eliminações para Honduras e na Copa das Confederações, além de uma classificação ruim nas Eliminatórias custaram o seu cargo.

Coube a Luiz Felipe Scolari, o Felipão, a árdua missão de classificar o Brasil para a Copa do Mundo. Como dito anteriormente, a equipe precisava vencer a Venezuela para conseguir avançar direto na classificação. Venceu, ficou em terceiro lugar e com isso garantiu o seu lugar para Japão e Coreia do Sul. O treinador havia definido os 23 atletas para a competição. Mas não contava com um corte de atleta. O volante Emerson se machucou durante um treino recreativo, onde quebrou o ombro. Precisou ser cortado. O meia Ricardinho, destaque do Corinthians nos últimos anos foi o escolhido.

Daí veio o Mundial e uma estreia duríssima contra a Turquia. Os turcos saíram na frente e geraram mais apreensão aos brasileiros. Mas ali começava a história de sucesso e do protagonismo de Ronaldo, que justificou o apelido de fenômeno. Foi dele o gol de empate e no segundo tempo, após um pênalti marcado de forma duvidosa, Rivaldo virou.

A forma como os treinos e o desempenho do Brasil vinham ocorrendo fizeram com que o time ficasse conhecido como a “Família Scolari”. Era um grupo talentosíssimo, de jogadores de destaque no mundo todo. Mas que a união e o apoio que um e o outro deram, foram essenciais para que aquelas dificuldades e dramas do passado ficassem lá atrás. Ainda no Mundial, as goleadas contra China e Costa Rica confirmaram a Seleção Brasileira como a primeira colocada com 9 pontos e um dos melhores ataques.

Os jogos eliminatórios sempre aparecem com uma dose de emoção. E com os brasileiros não foi diferente. Nas oitavas, a Bélgica criou, fez o goleiro Marcos defender bolas praticamente impossíveis. Somente Rivaldo e Ronaldo para tranquilizar e garantir a vitória por 2 a 0. Em seguida outro duelo complicado, contra a Inglaterra. Os ingleses saíram na frente com Michael Owen, após falha de Lúcio. Mas quem tem Rivaldo, tem brilhantismo e redenção. Foi dele o gol de empate. Claro que a atuação magistral de Ronaldinho Gaúcho merece destaque. Ele que deu o passe para Rivaldo fazer o 1 a 1 e foi de Ronaldinho a cobrança de falta que era pra ser um cruzamento para área, mas que acabou indo para o gol de David Seaman. Só não foi perfeito para o meia porque foi expulso.

Mais um quebra cabeça para Felipão ter que resolver e nas semifinais outra vez a Turquia. A partida também foi acirrada e cheia de drama. O zero parecia que não iria sair do placar. A impressão para brasileiros e turcos é que viria o temido gol de ouro ou a decisão por pênaltis.Porém o santo bico de Ronaldo apareceu. Foi com o toque de bico de pê que fez a bola ir bem detalhada, dar um toque na trave esquerda do goleiro Rüstu e assim entrar. Foi definido o 1 a 0 e vaga para a final da Copa do Mundo.

Era a terceira decisão seguida do Brasil, sendo que havia ganho em 1994, nos Estados Unidos e em 1998, quando perdeu para os donos da casa, a França. E do outro lado um duelo muito aguardado pelo mundo, já que nunca que brasileiros e os alemães já unificados, nunca se enfrentaram num Mundial. A Alemanha ficou desfalcada do seu principal astro, Michael Ballack, por suspensão. Seria a oportunidade do time simbolizado pelo goleiro Oliver Kahn e o atacante Klose de serem como a equipe verde amarela, tetra.

A partida foi bem jogada e equilibrada. Tanto o time de Felipão, como os alemães tiveram chances claras de encerrarem a primeira etapa com muitos gols. Veio a segunda etapa e o goleiro Marcos, que havia sido herói contra a Bélgica, outra vez apareceu em lances cruciais e fazendo grandes defesas. O alemão Kahn também fazia ótimas intervenções. Naquela Copa ele era e terminou a competição sendo escolhido o melhor goleiro.

Kahn só não ficou satisfeito porque ele quem falhou quando não poderia falhar. Em uma boa troca de passes, Kleberson chutou, o alemão tentou agarras, mas soltou a bola nos pés de Ronaldo Fenômeno que fez o 1 a 0. O mesmo Ronaldo após um corta luz fechou o placar de 2 a 0 e devolveu uma alegria que os brasileiros tiveram de segurar após 8 anos. Brasil penta campeão mundial! Foi a coroação do trabalho feito pela Família Scolari, foi o resgate da confiança aos atletas que eram brilhantes, os melhores no planeta, mas que estavam abalados e foi a superação depois de todo um caminho de suor e lágrimas que todos os atletas tiveram de passar.

O último título de Copa do Mundo até hoje é comentado pela população como um dos mais incríveis que assistiram. Jogadores que com certeza inspiraram tantos outros que surgiram na sequência. Os torcedores lembram com saudade como que cada um jogava nos clubes e na Seleção Brasileira. E todos esperam ansiosamente quando verão novamente um capitão fazer o que Cafú fez naquele 30 de junho, em Yokohama: erguer a taça de campeão.

Tivemos oportunidades de vencer os mundiais seguintes, especialmente em 2006, com o famoso “Quadrado Mágico”, protagonizado por Kaká, Adriano, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo e em 2014, onde o Brasil foi sede. Mas a falta de concentração e a farra de 2006 e o desequilíbrio emocional e o fatídico 7 a 1 da Alemanha. Tiraram o crédito da Seleção.

Fica a esperança de que em 2022, no Qatar, os brasileiros possam novamente serem protagonistas de um futebol arte, ofensivo, talentoso e unido. Novos talentos estão surgindo e sendo bem trabalhados e a equipe sendo bem montada já a partir das Eliminatórias Sul-americanas, definindo um padrão tático e sua base, a chance de título são maiores.

 

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