Desafios climáticos e agrícolas na América Latina têm destaque na COP17
Na COP17, representantes de comunidades latino-americanas destacam os impactos da seca e inundação na agricultura e na cultura local, clamando por ações efetivas

Durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), encerrada na semana passada em Ulaanbaatar, na Mongólia, relatos de diversas regiões da América Latina evidenciaram a crescente ameaça das secas, que impactam diretamente comunidades locais e suas culturas. O indígena shipibo-konibo Gilmer Yuimachi, da Amazônia peruana, destacou que a escassez de água compromete não apenas a alimentação e os rios, mas também as tradições ancestrais das populações nativas.
Em El Salvador, a jovem líder Xenia López está acompanhando comunidades do Corredor Seco Centro-Americano que buscam adaptar suas práticas agrícolas em resposta à falta de água. A região, que se estende do sul do México até o oeste do Panamá, enfrenta longos períodos secos, complicando a produção agrícola e a segurança alimentar nas comunidades rurais que ela apoia.
Enquanto isso, na parte argentina do Chaco Americano, a ativista Antonella Sleiman relatou que a região, tradicionalmente marcada pela seca, enfrentou inundações inéditas este ano, destruindo plantações e gerando a necessidade de compra de alimentos, algo que não havia ocorrido nas últimas cinco décadas.
Essas narrativas foram apresentadas no fórum global, que discutiu novos mecanismos de financiamento e a importância da participação de povos indígenas nas políticas de combate à desertificação. Apesar dos avanços, representantes latino-americanos apontaram que a distância entre as decisões tomadas em nível internacional e a realidade local ainda é considerável.
Com cerca de 28% das terras na América Latina sendo degradadas, um índice superior à média global de 15% a 16%, os participantes da COP17 defendem que é fundamental transformar as metas globais em ações concretas que beneficiem quem depende da terra para viver.
Xenia López relatou que as comunidades afetadas pela irregularidade das chuvas já estão implementando práticas agroecológicas para mitigar os danos causados pela falta de água e pela degradação do solo. “A agroecologia nos permite um uso mais eficiente da água e é essencial para proteger o solo”, destacou.
Em contrapartida, Gilmer Yuimachi enfatizou que a seca e a degradação do solo na Amazônia não significam apenas a escassez de água, mas ameaçam também a diversificação cultural e o conhecimento ancestral de seus povos. “Não queremos ser vistos apenas como vítimas; somos guardiões do território com conhecimentos que podem ajudar na restauração e na adaptação às mudanças climáticas”, afirmou.
Thaiane Maciel, engenheira ambiental brasileira, participou da conferência representando a juventude e pediu um reconhecimento maior do papel dos jovens nas discussões sobre políticas ambientais, enfatizando que muitos já têm experiências relevantes e estão prontos para contribuir ativamente nas soluções.
As experiências compartilhadas na COP17 refletem uma necessidade urgente de unir esforços e apoio que vão além das discussões reais, buscando um futuro mais sustentável e inclusivo para toda a América Latina.



