
A recente onda de casos de mpox no Brasil levou o Ministério da Saúde a adquirir, em caráter preventivo, até 20 mil doses da vacina contra a doença. A mpox se inicia com erupções cutâneas que evoluem para bolhas e crostas, afetando áreas como o rosto, mãos, pés, boca e região genital, e acompanhada de linfonodos inchados na virilha.
Até outubro deste ano, o Brasil contabilizou 665 casos da doença, segundo a médica infectologista Carolina Lázari, membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML). Felizmente, não houve registros de óbitos.
“Neste momento, não há necessidade de vacinação em massa. As medidas preventivas adotadas pelo Ministério da Saúde têm gerado resultados positivos. No Brasil, o foco está em homens jovens vivendo com HIV/Aids, que têm a imunidade comprometida, assim como em profissionais de saúde que manipulam o vírus”, afirmou a especialista.
Carolina Lázari destacou a importância de cuidar também de pessoas que convivem com infectados, já que essas pessoas estão em maior risco de contrair a doença.
A infectologista recordou surtos anteriores de mpox, incluindo o de 2022, que gerou uma emergência internacional com 10.821 casos no Brasil, e um surto em 2024 na República Democrática do Congo, que resultou na emergência declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) devido a uma nova variante, o vírus 1B, que afetou até crianças.
Monitoramento e Ações no Rio de Janeiro
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) informou que está atenta ao aumento de casos de mpox, particularmente na capital. Recentemente, mais de duas mil doses da vacina foram enviadas ao município, que concentra a maior parte dos registros, com 207 casos confirmados entre janeiro e 6 de novembro deste ano, sem casos fatais.
Após 119 casos confirmados em 2025, a SES-RJ mantém vigilância ativa na rede de saúde e reforça a preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) para diagnosticar e tratar a doença. Como parte do plano de enfrentamento à mpox, a Secretaria emitirá uma nota técnica com orientações para os municípios e promoverá treinamentos para equipes de saúde locais.
O vírus da mpox, que faz parte do gênero Orthopoxvirus, causa erupções cutâneas e pode ser transmitido por contato íntimo e gotículas respiratórias. Os principais sintomas incluem lesões na pele, aumento dos gânglios linfáticos, febre, dores de cabeça, musculares, calafrios e cansaço.
“Como em todas as situações de doenças infecciosas, a percepção sobre o aumento dos casos exige maior atenção. Estamos monitorando essa situação e aconselhando a população a buscar atendimento médico em caso de sintomas suspeitos”, afirmou Lázari.
A vacinação está sendo direcionada para grupos específicos, definidos com base em critérios epidemiológicos do Ministério da Saúde. A imunização prioriza pessoas vivendo com HIV, consideradas mais vulneráveis ao agravamento da mpox, e exige agendamento prévio.
Ações na Capital Fluminense
A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS) anunciou o reinício da vacinação contra a mpox. A imunização será escalonada, dando prioridade aos grupos mais vulneráveis, começando pelas pessoas que vivem com HIV/Aids, com contagem de linfócitos CD4 abaixo de 200 células/mm³, e que tenham 18 anos ou mais. A inclusão de outros grupos ocorrerá conforme a disponibilidade de novas doses.
As vacinas estarão disponíveis em cinco locais durante horários estendidos, incluindo três Super Centros Cariocas de Vacinação: Botafogo (Rua General Severiano, 91), Zona Norte (Shopping Nova América, em Del Castilho) e Zona Oeste (ParkShopping Campo Grande). Além disso, será realizado no Centro Especial de Vacinação Dr. Álvaro Aguiar (CEVAA) e no Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais do Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz (CRIE/INI).



