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Brics manifesta preocupação com tensões no Oriente Médio e comércio global

Brics alerta sobre tensões no Oriente Médio, criticando tarifas unilaterais e pedindo maior representação do Brasil no Conselho de Segurança da ONU

Os participantes da Cúpula do Brics, que ocorreu neste fim de semana em Nova Delhi, expressaram “profunda preocupação” com as tensões no Oriente Médio e criticaram a imposição de tarifas unilaterais no comércio internacional. Além disso, defenderam que o Brasil tenha um papel mais proeminente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A declaração oficial do encontro, intitulada “Construindo para a Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade”, foi divulgada neste sábado (12). O Brics é composto por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã, reunindo 39% da economia mundial e 48,5% da população global.

Com relação à guerra no Oriente Médio, iniciada em fevereiro, os líderes do Brics abordaram a escalada do conflito, embora a declaração não mencionasse diretamente os países envolvidos. O Irã tem sido alvo de ataques dos Estados Unidos e Israel, que alegam que o país está desenvolvendo armas nucleares, o que o Irã nega. A declaração pediu contenção e abstinência de ações que possam agravar a situação.

“Expressamos profunda preocupação com a contínua escalada das tensões no Oriente Médio/Ásia Ocidental e, recordando nossas respectivas posições nacionais, conclamamos ao exercício da máxima contenção, bem como à abstenção de ações que possam agravar ainda mais a situação.”

O encontro contou com a presença de líderes importantes, incluindo o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, os presidentes Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia) e Cyril Ramaphosa (África do Sul), além do representante iraniano Masoud Pezeshkian. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

A declaração também enfatizou a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da ONU para torná-lo mais democrático e eficaz, com uma melhor representação de países em desenvolvimento. Há décadas, o Brasil busca um assento permanente no Conselho, com apoio declarado de China e Rússia em suas aspirações.

Os líderes do Brics criticaram as tarifas unilaterais impostas no comércio internacional, sem mencionar diretamente os Estados Unidos, que têm aplicado tais medidas desde a presidência de Donald Trump. A declaração destaca a preocupação com o aumento dessas tarifas, que distorcem o comércio global.

Adicionalmente, o texto aponta que os países estão em busca de soluções para permitir pagamentos transfronteiriços em moedas locais, mas não propõe a criação de uma moeda específica do Brics como substituta ao dólar.

Por fim, a declaração reafirma o compromisso de erradicar a pobreza em todas as suas formas e dimensões, considerando esta meta como um dos principais desafios globais. O Brasil e a África do Sul propuseram a criação de um painel internacional focado em desigualdades.

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